Jean Granier – Nietzsche

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A rejeição de Nietzsche a qualquer sistema filosófico tradicional inaugura a filosofia como interpretação, único “método” capaz de abarcar a variedade de abordagens e a mescla de gêneros do autor de Assim falou Zaratustra e Ecce homo.
Em Nietzsche, Jean Granier discute como é possível mergulhar em uma obra que foi deixada inacabada e que sofreu graves mutilações, tais como as engendradas pela irmã de Nietzsche, que alinhou seus escritos a ideologias nazifascistas.
As principais obras nietzschianas são aqui discutidas, trazendo à luz desde as primeiras reflexões do jovem professor de filologia grega até as críticas mais ferrenhas produzidas na maturidade.

Nietzsche gostava de alegar ascendência da nobreza polonesa. Na verdade, a linhagem dos Nietzsche, que graças a uma pesquisa minuciosa foi possível remontar até o começo do século XVIII, é inteiramente alemã.
Entre os antepassados de Nietzsche há muitos pastores, como o avô, também com o nome Friedrich, que se tornou superintendente e ao qual a Universidade de Königsberg conferiu o título de doutor em teologia; e como seu pai, Karl Ludwig, que, como pastor em Röcken, perto de Lützen, casou-se em 1843 com Fransiska Oehler, também filha de um pastor.
Friedrich Nietzsche nasceu em 15 de outubro de 1844. A seu nascimento seguiu-se o de uma irmã, Elisabeth (1846), e de um irmão, Joseph, que faleceu em 1849. Aliás, foi nesse mesmo ano que ocorreu a morte do pai, o que foi ainda mais frustrante porque Nietzsche, como diria mais tarde em Ecce homo, sentia verdadeira veneração pelo progenitor, e a partir daí exerceu-se sobre ele apenas a educação de sua mãe, mulher de sólidas qualidades morais e de um devotamento exemplar, mas de espírito limitado.
Em compensação ele fez seus estudos no liceu de Pforta, onde ingressou em outubro de 1858, com uma bolsa concedida pela cidade de Naumburg. O rigor da disciplina lhe foi, de início, penoso, mas logo lhe despertou o gosto pelo esforço, a capacidade de concentração e a coragem diante das provações.

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