Paula Da Cruz Landim – Design, Empresa, Sociedade

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Com a globalização da economia de livre mercado, também o design tornou-se um fenômeno verdadeiramente global. Por todo o mundo industrializado, fabricantes de todos os tipos reconhecem e implementam cada vez mais o design como um meio essencial para chegar a um novo público internacional e para adquirir vantagem competitiva.
Mais do que nunca, os produtos do design dão forma a uma cultura material mundial e influenciam a qualidade do nosso ambiente e o nosso cotidiano.
O design então, segundo Moraes, tende a suplantar suas referências regionais, passando a utilizá-las com discrição e sutileza como forma de identidade cultural decodificada, sem, entretanto, comprometer o produto final frente à competição global.
Dessa forma, a inserção da cultura local seria mais um aspecto a ser considerado no desenvolvimento de novos produtos. Assim, os produtos globais tornaram-se um novo desafio para designers e fabricantes, ao mesmo tempo que se transformaram em potencial estratégico de mercado para os países e suas respectivas indústrias.
Por exemplo, a Finlândia, ao longo da história de sua cultura material, destacou-se no design com o uso da madeira curvada em mobiliários, tradicionalmente reconhecidos pela sua inovação, qualidade e bom design, principalmente na pessoa de Alvar Aalto.
Esses produtos, além de uma imagem de produção semiartesanal cuidadosamente preservada, possuem características que os destacam nitidamente dos produtos de outros países, e são, portanto, considerados sinônimo de design finlandês, funcionando como estratégia promocional de marketing.
Paralelamente, a Finlândia é um dos primeiros países a investir no design social, exemplificado em soluções voltadas para as limitações da terceira idade, a reintegração dos deficientes na sociedade e a busca de melhor qualidade e adequação dos produtos e equipamentos de uso médico-hospitalar.
Tais produtos destinam-se ao mercado global e apresentam também uma inovação no tocante ao design finlandês: a utilização de materiais termoplásticos monomateriais na confecção quase integral dos produtos, ilustrando a preocupação dos designers e fabricantes com os aspectos ecológicos, principalmente envolvendo a reciclagem.
O design social não é nenhuma novidade enquanto discurso, mas ainda é enquanto prática.

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