Aborto Legal E O Cultivo Ao Segredo tem por objetivo ampliar o conhecimento de que dispomos sobre as práticas e representações de profissionais da saúde, feministas e outros agentes sociais a respeito do aborto legal, ou seja, do aborto permitido em lei no Brasil e em Portugal.
Na pesquisa em questão, o assunto foi investigado em um campo “multissituado” a partir de “viagens” que empreendi a alguns lugares do Brasil e também entre esses dois países – lugares que, independentemente da distância entre “uns” e “outros”, demonstraram a complexidade de seus segredos relativos a esse discutido e polêmico tema que diz respeito, sobretudo, à sexualidade e à saúde das mulheres.
Meu entusiasmo em estudar o tema aborto remonta a uma série de trabalhos que realizei ao longo de minha trajetória acadêmica.
Primeiramente, fui apresentada aos estudos de gênero ainda na graduação em Ciências Sociais, área em que me bacharelei em 1996 com Trabalho de Conclusão de curso no campo da religião sob a orientação do Prof. Alberto Groisman.
Algum tempo depois, ingressei no Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades como bolsista de iniciação científica e, ao mesmo tempo, passei a realizar disciplinas no curso de Pós-Graduação em Antropologia como aluna especial.
Nesse período, elaborei vários trabalhos que tinham as relações de gênero como foco – gênero, religião e parentesco, violências e relacionamentos afetivo-conjugais –, utilizando diferentes técnicas de investigação, como análise de filmes e entrevistas.
Neste Núcleo, realizei, como pesquisadora de Iniciação Científica do CNPq, um levantamento bibliográfico sobre o tema “Violência contra as Mulheres no Brasil”, adquirindo, para esta pesquisa, vasta bibliografia.
Para isso, analisei tanto livros e artigos de autores conhecidos como trabalhos inéditos de alunos da graduação e do mestrado de várias universidades do país, produzidos entre os anos de 1995 e 1999 em disciplinas como Antropologia, Direito, Sociologia, Jornalismo, Serviço Social, etc.
Ingressei efetivamente no Mestrado em Antropologia Social desta mesma Universidade no ano 2000, sendo que, em minha dissertação, intitulada “Gravidez e relações violentas: representações da violência doméstica no município de Lages/SC”, o tema aborto foi recorrente em várias situações.

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