Robinson Moreira Tenório – A Razão E O Tempo

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A alfabetização matemática é um dos mais graves problemas educacionais no Brasil, pois sua efetivação esbarra não só no processo de evasão e repetência, que exclui muitas crianças da escola colocando-as à margem do conhecimento sistematizado, mas esbarra também em um outro mal “congênito”: mesmo os que percorrem os diversos graus de ensino, alguns da educação básica à superior, não podem ser considerados alfabetizados no amplo sentido do termo, já que a compreensão do conhecimento matemático se dá, quando muito, de maneira meramente técnica e formal, incapaz de propiciar uma leitura significativa das relações que pululam no mundo objetivo, mundo este de onde emerge o próprio conhecimento matemático.
Como evitar este “problema ao quadrado”? É evidente, por um lado, que questões sociopolíticas e econômicas estão entranhadas no processo de evasão e repetência, de forma que a alteração deste quadro exige atuação neste mesmo processo.
Mas, por outro lado, como tornar de imediato a ação pedagógica mais eficaz relativamente ao conhecimento matemático?
Felizmente para o ensino, o trabalho crítico de muitos educadores, sobremaneira aqueles afinados com a Pedagogia Libertadora – animados especialmente pelos estudos e pela prática do professor Paulo Freire – tem contribuído para disseminar a compreensão da importância da atividade de problematização e contextualização dos temas/questões levantados em sala de aula (ou fora dela).
Assim, também no ensino da matemática, os problemas postos ou surgidos em sala de aula têm apresentado a cor do contexto em que estão inseridos e, dessa forma, tal ensino passa a apresentar uma nova dimensão, isto é, a dimensão do espaço em que está imerso, do contexto em que os educandos estão inseridos, das questões que lhes dizem respeito, em suma…o “onde estamos”.
A consciência do ponto de partida é imprescindível, e aí está sua importância, para se começar a caminhada para o “aonde queremos chegar” em termos de ensino da matemática: a compreensão dos significados sociais do conhecimento matemático – do ábaco ao computador eletrônico, do fio de prumo ao raio-laser, do modelo ptolomaico à teoria da relatividade, do determinismo mecanicista às multifacetadas relações do pensamento holístico e ecológico.
Dessa forma, distinguimos dois pontos fundamentais e bem definidos: o ponto de partida e o ponto de chegada. Qual o melhor caminho entre eles? Ora, certamente o caminho já traçado pelos pés e mãos de milhões de homens e mulheres em muitas e muitas gerações de trabalho, socialização e humanização: o caminho da história. Vejamos alguns destes caminhos.

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