Mario Vargas Llosa – A Guerra Do Fim Do Mundo

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A Guerra Do Fim Do Mundo é um dos livros mais importantes de Mario Vargas Llosa, um épico latino-americano em que ele reconta a Guerra de Canudos – conflito que está entre os mais dramáticos da história do Brasil -, com toda a genialidade que o consagrou como um dos grandes autores de língua espanhola da atualidade.
A pesquisa para o livro demandou um esforço concentrado. Impressionado com a leitura de Os sertões, de Euclides da Cunha, Vargas Llosa se embrenhou em arquivos históricos no Rio de Janeiro e em Salvador, viajou pelo sertão da Bahia e de Sergipe e criou um a obra que, hoje, é reconhecida como o seu tour de force.
“Peregrinei por todas as vilas onde, segundo a lenda, o Conselheiro pregou”, escreve ele, “e nelas ouvi os moradores discutindo ardorosamente sobre Canudos, como se os canhões ainda trovejassem no reduto rebelde e o Apocalipse pudesse acontecer a qualquer momento naqueles desertos salpicados de árvores sem folhas, cheias de espinhos”.
Em A Guerra Do Fim Do Mundo, o autor dá uma nova dimensão à figura de Antônio Conselheiro, esse homem de túnica roxa e olhos que “flamejavam com um fogo perpétuo”, capaz de levar uma multidão de fiéis até os limites da loucura e, finalmente, à morte.
Os idos de 1970 marcaram uma retomada que poderia parecer surpreendente da obra de Euclides da Cunha, isso por que o autor de Os Sertões fora tido por muito tempo como possuidor de uma linguagem complexa, erudita e marcada por um cientificismo de nítida orientação Positivista.
Eram características que deveriam, por si só, criar o desinteresse de uma geração que procurava uma linguagem ideológica, com forte poder de comunicação e capaz de concorrer com o avanço dos best-sellers entre os leitores brasileiros.
No entanto, não foi isso que aconteceu e sua escrita e, principalmente, sua postura intelectual tornaram-se referenciais daquela geração. Prova dessa retomada euclidiana são os trabalhos de Walnice Nogueira Galvão, que preparou a edição crítica de Os Sertões e escreveu vários ensaios a respeito do autor, e do historiador Nicolau Sevcenko (1995), que percebeu a voz dissonante de Lima Barreto e de Euclides da Cunha em meio ao coro eufórico do ingresso do Brasil na modernidade.
É esse Euclides da Cunha “renovador” e “revolucionário” que passou a circular entre nós, um autor que tinha voltado “os olhos para os vencidos, enxergando neles uma verdade que escapa às diretrizes da modernização”.

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