Em 20 de abril de 1999, Eric Harris e Dylan Klebold se armaram com pistolas e explosivos e entraram na Escola de Ensino Médio de Columbine, na cidadezinha de Littleton, Estados Unidos. Em questão de minutos, mataram doze estudantes e um professor e feriram outras vinte e quatro pessoas, antes de tirar a própria vida.
Desde então, Sue Klebold, mãe de Dylan, convive com a dor e a vergonha indescritíveis por aquele dia. Como seu filho, o jovem promissor que ela criou com tanta dedicação, pôde ser responsável por tamanho horror? E como, convivendo com ele diariamente, ela não percebeu que havia algo errado? Houve sinais sutis que ela não captou? O que ela poderia ter feito diferente?
Essas são perguntas com que Sue se debate todos os dias desde a tragédia de Columbine. Em O acerto de contas de uma mãe, ela narra com honestidade rigorosa sua jornada para tentar lidar com o incompreensível. Na esperança de que os insights e o entendimento que ela obteve ao longo dos anos possam ajudar outras famílias a reconhecer quando um adolescente está com problemas, Sue conta sua história na íntegra, recorrendo a seus diários pessoais, aos vídeos e escritos que Dylan deixou e a inúmeras entrevistas com especialistas em saúde mental.
Repleto de sabedoria e compaixão, este é um livro forte e inquietante que lança luz sobre uma das questões mais prementes do nosso tempo.

Temos culpado os pais, sistematicamente, pelos supostos defeitos de seus filhos. A teoria do imaginário do século XVIII afirmava que as crianças tinham deformidades em virtude dos desejos libidinosos não expressados das mães.
No século XX, acreditava-se que a homossexualidade era causada por mães dominadoras e pais passivos; a esquizofrenia refletiria o desejo inconsciente dos pais de que o filho não existisse; e o autismo seria o resultado de “mães-geladeiras”, cuja frieza condenava os filhos a uma fortaleza de silêncio. Hoje em dia sabemos que condições tão complexas e multifatoriais como essas não são resultado do comportamento ou da atitude dos pais.

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