Manuel Carvalho Ferreira Cruz – O Movimento Libertário Portuense À Luz Do Períodico A Aurora (1910-1919)

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A compreensão da evolução ideológica, desde o 1º Manifesto do grupo Comunista-Anarchista do Porto em janeiro de 1888 até à Implantação da República em 1910, assim as referências e concessões ideológicas (autores e correntes) que pautaram a ação anárquica no Porto como Enrico Malatesta, Jean Grave, José Prat, Mikhail Bakunin ou Piotr Kropotkin, constitui a essência do estudo das organizações anarquistas portuenses, assim como dos seus dirigentes e membros.
Foi procurado avaliar o impacto do anarquismo intelectual no quotidiano cultural do Porto, desde a sua imprensa operária, os espetáculos e saraus culturais, até às excursões de propaganda e de convívio entre operários.
Não poderiam deixar de ser abordadas as relações tensas entre anarquismo e República, no advento deste sistema político em Portugal e a repressão política que aquele e os seus elementos foram sofrendo, assim como o papel da União Geral dos Trabalhadores da Região do Norte e a sua evolução até à formação da C.G.T. em 1919 para o escalar da influência do movimento operário no quotidiano de uma nova etapa política do país.
Por fim, ficaram elucidadas as formas de comunicação entre as organizações libertárias e operárias portuenses, e as suas congêneres de outros pontos do país, assim como do exterior, essencialmente no restante continente europeu, e que permitiram observar os diferentes graus de evolução e implementação do ideal anarquista junto de cada uma delas.
A tarefa de escrita da história do movimento libertário do Porto durante a 1ª República apresenta-se, logo à partida, árdua e complexa. Desde logo, porque me coube a obrigação de juntar peças dispersas de um puzzle que não traz uma solução imediata, mas sim pistas que requerem conhecimento prévio do tema abordado para se confirmar a sua veracidade e utilidade. E, como muito acertivamente referiu César Oliveira, “é uma época que, ainda hoje, serve de justificação para uns e reserva mitológica para outros”.

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