De acordo com o parecer CNE/CES 492/2001, que traça as Diretrizes Curriculares Nacionais para alguns cursos superiores no Brasil, incluindo o de Filosofia, o perfil dos formandos da graduação em Filosofia é o de uma “sólida formação de história da filosofia, que capacite para a compreensão e a transmissão dos principais temas, problemas, sistemas filosóficos, assim como para a análise e reflexão crítica da realidade social em que se insere”.
Para alcançar tal objetivo, as Diretrizes Curriculares propõem que os Conteúdos Curriculares da graduação em Filosofia contemplem dois conjuntos de disciplinas. O primeiro deles é constituído por cinco disciplinas básicas. São elas:
– História da Filosofia;
– Teoria do Conhecimento;
– Ética;
– Lógica;
– Filosofia Geral: Problemas Metafísicos.
O segundo conjunto é composto por dois grupos de disciplinas, a saber: (1) duas “matérias científicas” – cujo intuito seria, ao nosso ver, o de considerar o aspecto da interdisciplinaridade; e, (2) por considerar o “desenvolvimento da Filosofia nas últimas décadas”, algumas disciplinas de áreas específicas da filosofia, tais como: Filosofia Política, Filosofia da Ciência (ou Epistemologia), Estética, Filosofia da Linguagem e Filosofia da Mente.
A ideia que envolve tal proposta é a de que este conjunto de disciplinas seja suficientemente capaz de desenvolver as Competências e Habilidades necessárias para se atingir o perfil desejado.
Atualmente, o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes – ENADE – é o instrumento pedagógico utilizado pelos órgãos responsáveis pela educação superior no Brasil para avaliar o processo de aprendizagem e o desempenho dos estudantes universitários, especificamente no tocante aos Conteúdos Curriculares previstos nas Diretrizes Curriculares Nacionais. Todavia, quando consideramos as 27 questões específicas da prova do ENADE de filosofia ocorrida no ano de 2014 um dado relevante salta aos olhos: o modo como a prova considerou os Conteúdos Curriculares do curso de Filosofia denuncia uma constatada tendência em privilegiar determinados períodos e temas da filosofia.Há duas maneiras de se verificar este fato.
A primeira é quando se constata a notável desproporcionalidade na divisão das questões da prova quanto aos períodos da história da filosofia.
A segunda maneira de se verificar que houve uma tendência em privilegiar determinados períodos e temas da filosofia é analisando as questões pelas áreas do conhecimento a que pertencem.

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