Claudia Safatle, João Borges & Ribamar Oliveira – Anatomia De Um Desastre

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Caro leitor, em suas mãos está um livro que conta a história econômica dos treze anos de PT no poder. Se o texto que vem a seguir em algum momento lhe parecer ficção, a culpa é dos fatos, não dos autores, três dos mais renomados jornalistas do país, que viveram esse período muito de perto (inclusive morando em Brasília).
Tudo começou com a nomeação de Antonio Palocci para coordenar a transição do governo Fernando Henrique para Lula, seguida de sua nomeação para o Ministério da Fazenda. Crédito eterno a Lula. Palocci inaugurou a primeira fase do caminho econômico do PT no poder. A segunda foi da saída de Palocci até o fim do segundo mandato do presidente Lula e a terceira coincide com a Presidência de Dilma Rousseff.
Na primeira fase, Lula descartou o programa histórico do PT, comprometeu-se com a continuidade das políticas ortodoxas de Fernando Henrique e, como num passe de mágica, debelou a crise de confiança que já na época o PT alegava ser uma herança maldita do governo anterior. Para alguém que, como eu, se dedicou à mais civilizada das transições, em boa parte do tempo com o dedo no pulso da economia brasileira (que enfartou com a perspectiva da chegada do PT ao poder), essa atitude foi uma surpresa, talvez um prenúncio da maneira João Santana de ser. Mas isso pouco importa. A inflação foi posta nos trilhos, a agenda de reformas prosseguiu e, com a ajuda de um boom nos preços das commodities que duraria os oito anos de Lula na Presidência, a economia voltou a crescer.
Naquele momento me parecia que o Brasil continuaria em um bom caminho para o desenvolvimento. Mas infelizmente ele não durou muito. Um primeiro sinal de desvio de rota surgiu com a hoje famosa rejeição da proposta de reordenamento das finanças públicas do país, apresentada pela área econômica do governo. Como bem relata este livro, a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, qualificou a proposta de “rudimentar” e declarou que “gasto é vida”.

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