Manoel Julião Neto – A Flor Da Várzea

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Trata-se da narrativa da vida de uma família que vivia na Fazenda Várzea Cercada, situada nas proximidades de Macau/RN, antes da metade do século XX.
A história de Tidinha nos transporta a uma vida sem comida, escola, rádio, jornal, televisão, amor, carinho, educação, compreensão, e em que predomina exploração, discriminação e maus-tratos de um pai com a família, prejudicando o convívio de todos de sua casa.
Dizem os mais velhos que a profissão mais antiga da terra é a prostituição. O autor apresenta os cabarés de Natal e a vida das mulheres da noite, que são levadas a vender o que têm de mais precioso e sagrado – seu corpo – para sobreviver, de forma realista, dramática e, por vezes, divertida.
O autor nos apresenta, ainda, com riqueza de detalhes, a Cidade do Natal dos anos 40, fervilhando de soldados americanos, em trânsito para a Europa, eternizando a participação dessa cidade na Segunda Guerra Mundial: “Os soldados americanos não têm vergonha de nada, ao meio-dia em ponto, andam agarrados com as raparigas, beijando na boca e tomando cerveja na boca da garrafa. Eles não respeitam ninguém, até parece que Natal é deles. Vez por outra, um brasileiro mata um de faca, eles têm medo de faca que se pelam, só fazem dizer: non, knifenon. As moças de família não saem nem nas ruas com medo deles”.
Manoel Julião nos mostra suas personagens do jeito que são, ou melhor, da forma que aquele mundo as fez. Entretanto, demonstra, a cada parágrafo, que as pessoas podem nascer humildes, de cidades pequenas, sem dotes, de famílias pouco importantes, com poucas oportunidades de estudar… Mas a vida dá chances para crescerem espiritual, intelectual e moralmente; tudo depende das oportunidades surgidas e das escolhas tomadas. Ao longo de nossas vidas, esse raciocínio é peculiar de pessoas observadoras e que têm coragem de dividirem experiências.
Para concluir, conclamo todos a lerem o livro. O autor usa requintes de bom gosto, ao divulgar a história da Cidade do Natal, capital do estado de Rio Grande do Norte e, desse modo, exporta para o mundo a vida simples do povo do nosso querido Brasil.

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