Luiz Eduardo Anelli – Dinossauros E Outros Monstros: Uma Viagem À Pré-História Do Brasil

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O Brasil possui guardada sob sua superfície uma longa e fascinante pré-história, empilhada na forma de um grandioso edifício rochoso. Milhões de pequenos fragmentos das últimas centenas de milhões de anos eram registrados enquanto espessas camadas de sedimentos se acumulavam em imensas depressões da crosta em terras hoje brasileiras. Nessas rochas, encontramos petrificadas as sucessões de ambientes que existiram no passado, em cenários muito diferentes dos atuais, onde mares, desertos, montanhas, regiões vulcânicas, pantanais e estranhas florestas se sucederam pelos andares do tempo. E não apenas isso. Nesse tempo e geografia esquecidos, multidões de animais e plantas floresceram, evoluíram, sobreviveram ou se extinguiram. Combinados a um tempo exageradamente longo e à incansável geologia, os restos e vestígios da sua existência também foram caprichosamente preservados nas rochas. São os fósseis, sinais da vida pré-histórica, janelas através das quais podemos enxergar um passado incrivelmente profundo que, no Brasil, até onde conhecemos atualmente, chega à metade da história deste mundo: 2,4 Ga (giga-anos = bilhões de anos).
Dentre as criaturas que por aqui perambularam, estavam os dinossauros. Ao contrário do que em geral aprendemos, eles não foram completamente extintos, de modo que sua presença em nossas terras ultrapassa os tão falados 160 Ma (mega-anos = milhões de anos). Incluindo aqueles que sobreviveram à grande extinção, os dinossauros somam hoje pouco mais de 230 Ma de ocupação. Como no Brasil seus esqueletos aparecem em rochas formadas durante o início da era Mesozoica, no período das primeiras linhagens, sua própria pré-história está guardada sob nossos pés. É mais que um privilégio possuir em nossas terras o registro do nascimento da mais diversificada e duradoura linhagem de vertebrados terrestres que a vida produziu – uma riqueza só possível de ser acumulada ao longo do descomunal tempo geológico.
Mas, além dos dinossauros, outros seres admiráveis evoluíram, lutaram pela vida, procriaram e encontraram a morte nestas terras, deixando milhões de esqueletos fossilizados. São aqui chamados de monstros não porque foram abomináveis, seres detestáveis que desejaríamos jamais terem existido. Ao contrário. Foram monstros pela dimensão dos desafios que enfrentaram e das conquistas que tiveram, seres de um tempo distante, testemunhas dos momentos mais rigorosos que a vida atravessou, catástrofes grandiosas às quais não resistiríamos nem mesmo com todo o aparato tecnológico hoje disponível. Eles exploraram com grande habilidade e delicadeza tudo que a Terra ofereceu, sem destruí-la ou desperdiçá-la, sem cobiça ou exageros. Foram eras sem egoísmo, arrogância ou corrupção.

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