Como para muitos brasileiros, a figura de Antonio Petrin me foi melhor delineada pelo seu personagem talvez mais célebre, o vilão Tenório, de Pantanal, no início dos anos 1990. Sua presença na novela gerou uma dupla surpresa, porque, já atuante como jornalista para um diário paulistano, eu havia feito a cobertura de lançamento, e o nome do ator não constava do elenco.
Sabemos agora, por esse depoimento, que sua entrada no folhetim pantaneiro de Benedito Ruy Barbosa, dirigido por Jayme Monjardim e equipe, foi de supetão, como substituto de um colega. O outro fato inesperado se deu quando, pouco tempo depois, ao me transferir para um jornal da região do Grande ABC, vizinha a São Paulo, surgiu a oportunidade de entrevistar o intérprete. Petrin estava no auge do ibope com suas maldades na Rede Manchete. Morador de Santo André (o A do ABC) desde criança, ele merecia, portanto, uma entrevista ou um perfil, como se diz no jargão jornalístico.
E lá fomos, repórter e fotógrafo, bater à residência de classe média do bairro Parque das Nações, onde o ator e diretor havia vivenciado uma infância de brincadeiras de rua e, principalmente, o encontro com o teatro na paróquia local. Sempre simpático, mas cioso de que por trás da fama súbita e passageira da audiência televisiva existia uma longa carreira no palco a ser preservada, ele se mostrou reticente em comentar o sucesso na teledramaturgia. Há um passado e um presente no teatro de que prefiro falar, avisou logo de cara. Até então, eu havia visto talvez uma ou duas atuações dele no palco, em textos cômicos populares, seguramente em Sigilo Bancário. Mas na entrevista que se seguiu me aprofundei na sua história pessoal e na trajetória de um dos grupos mais influentes do teatro paulista, o andreense Grupo do Teatro da Cidade (GTC), do qual Petrin foi um dos fundadores sob os auspícios da professora Heleny Guariba.

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