Os textos reunidos neste livro são biografias comentadas de homens e mulheres que viveram os “tempos sombrios” da primeira metade do século XX. Mergulhando em mundos internos tão díspares como os de Hermann Broch e João XXIII, Rosa Luxemburgo e Jaspers, Isak Dinesen e Bertold Brecht, Heidegger e Walter Benjamin, Hannah Arendt submete a uma reflexão apaixonada, e por vezes implacável, seus erros e acertos, culpas e vitórias, responsabilidades e irresponsabilidades perante a realidade que enfrentaram.
A beleza destes relatos reside na sólida crença arendtiana na solidariedade e dignidade humanas, valores morais ainda capazes de impedir o triunfo do niilismo e do totalitarismo numa época de experiências catastróficas.

Escrita ao longo de um período de doze anos, no impulso do momento ou da oportunidade, esta coletânea de ensaios e artigos se refere basicamente a pessoas — como viveram suas vidas, como se moveram no mundo e como foram afetadas pelo tempo histórico. As pessoas aqui reunidas dificilmente poderiam diferir mais entre si, e não é difícil imaginar como poderiam protestar, se tivessem voz na questão, por serem reunidas, por assim dizer, numa mesma sala.
Pois não têm em comum dons ou convicções, profissões ou ambientes; com uma única exceção, nem se conheciam. Mas foram contemporâneas, embora pertencendo a gerações diferentes — exceto Lessing, evidentemente, que, no entanto, é tratado no ensaio introdutório como se fosse um contemporâneo.
Assim partilham entre si a época em que decorreram suas vidas, o mundo na primeira metade do século XX, com suas catástrofes políticas, seus desastres morais e seu surpreendente desenvolvimento das artes e ciências. E embora essa era tenha matado alguns deles e determinado a vida e a obra de outros, poucos foram duramente atingidos e nenhum deles pode dizer que foi condicionado por ela.
Os que buscam representantes de uma época, porta-vozes do Zeitgeist, expoentes da História (com H maiúsculo), aqui procurarão em vão.

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