Mundo Livre S/A – Por Pouco

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Músicas:

1. O Mistério Do Samba
2. Concorra A Um Carro
3. Por Pouco
4. Mexe Mexe
5. Melô Das Musas (Musa Da Ilha Grande)
6. Treme-treme (Shakin’ All Over)
7. Meu Esquema
8. Super Homem Plus
9. Ligação Direta
10. Lourinha Americana
11. 6:30 AM, Um Abraço!
12. Batedores (Resistindo Ao Arrastão Global)
13. Minha Galera
14. Garota De Ipanema (mais…)

Steven Pressfield – A Porta Dos Leões

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Antes de dizer o que é este livro, preciso explicar o que ele não é. Não é uma história abrangente da Guerra dos Seis Dias. Batalhas inteiras foram deixadas de fora. Observações críticas fundamentais, como os contextos diplomático e político antes da guerra, o ponto de vista dos árabes e mesmo a história do povo judeu, só foram incluídas em menções testemunhais de personagens centrais desta obra, os próprios veteranos da guerra. Mesmo aquelas unidades das Forças de Defesa de Israel (FDI) cuja contribuição para a vitória foi fundamental – a Brigada Golani, a Ugda Yoffe, as Brigadas Harel e Jerusalém, o Sayeret Matkal, a Marinha e muitas outras – são mencionadas somente en passant.
A Porta dos Leões reconstrói as experiências de apenas algumas das unidades das FDI – o 119º Esquadrão de Mirages da Força Aérea, a 7ª Brigada de Blindados (sobretudo, a Companhia de Reconhecimento), o 124º Esquadrão de Helicópteros, o 71º Batalhão de Paraquedistas, entre outros. Mesmo no âmbito dessas formações, um número restrito de pessoas ganha visibilidade. A matéria-prima deste livro vem de 63 entrevistas que realizei em Israel, na França e nos Estados Unidos, perfazendo cerca de 370 horas de conversa. O foco é deliberadamente pessoal, subjetivo e idiossincrático.
Este livro não tem a pretensão de documentar os “fatos” da guerra. A essência desta narrativa são os testemunhos dos soldados e aviadores, suas lembranças. A memória é algo bastante complexo. É verdade? É história? É fato? Não me preocupo tanto com essas perguntas, que, ao fim e ao cabo, não podem ser respondidas, mas com a realidade humana daquele instante. O que me fascina é a abordagem subjetiva do evento. Quero estar no cockpit, dentro do tanque, vestindo o capacete. O que importa para mim é como o evento foi vivenciado por aqueles homens e mulheres.
A memória, como sabemos, é notoriamente traiçoeira. Ela pode ser egoísta, autólatra, autocomplacente. A memória se esvai. As pessoas esquecem. As lembranças contêm hiatos e lacunas. Além disso, há o efeito Rashomon. O leitor atento descobrirá neste livro trechos em que três indivíduos trazem três diferentes versões de um mesmo evento do qual participaram. Esse fenômeno ocorreu durante a realização das entrevistas. Quando conversei com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, o depoimento de uma delas por vezes contradizia o do amigo. “Não, quando isso aconteceu ainda não estava escuro. Você não lembra?” O leitor deve ter isso em mente ao avaliar os relatos apresentados nestas páginas.