O cineasta e escritor Antonio Carlos da Fontoura conta ao também escritor Rodrigo Murat que, certo dia, caminhava por uma estrada que não sabia aonde ia dar. Sentou-se, então, para descansar um pouco, quando ouviu pelo rádio de um boteco Erasmo Carlos cantando: “Estou sentado à beira de uma estrada / que não tem mais fim”. Murat escreve: “É mesmo longa a estrada de Fontoura”. O livro-depoimento Espelho da Alma cobre boa parte dessa longa caminhada empreendida por Fontoura. Inclui-se aí o seu trabalho como dramaturgo e ator no Centro Popular de Cultura (CPC), ao lado de Oduvaldo Viana Filho e Armando Costa, sua tentativa frustrada de seguir carreira como geólogo, o lendário curso sobre as técnicas de cinema direto feito com o sueco Arne Sucksdorff, curso que inspirou toda uma geração de cineastas e documentaristas brasileiros, sua experiência com Eduardo Coutinho em Cabra Marcado Para Morrer, o trabalho como critico de cinema ao lado de Glauber Rocha no Diário Carioca, a parceria com o grupo Opinião e, dentre muitas outras coisas, sua carreira com roteirista e diretor de cinema e televisão. Responsável por filmes fundamentais como Ver Ouvir, Copacabana me Engana e A Rainha Diaba, Fountoura surge por inteiro em Espelho da Alma.
Antonio Carlos da Fontoura nasceu em 20 de novembro de 1939 em São Paulo. Desde os 10 anos vive no Rio de Janeiro, cidade que adotou e radiografou em seus filmes. Casado, ele tem três filhos, Daniel, Marina e Leonardo e dois netos, Sofia e Gabriel, mas só isso não dá conta de abarcar uma trajetória tão rica.

Deixe uma resposta