Manoel Bonfim – O Brasil Nação Vol. II

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Este livro, que fecha uma série destinada a estudar as condições feitas à nação brasileira – O Brasil na América, O Brasil na História, sendo o desenvolvimento de um mesmo pensamento, quebra, no entanto, a perspectiva social e política antes projetada. Não foi mais possível devisar os destinos desta pátria nos plainos da normalidade. Os conceitos, intensos e sentidos sobre o futuro, romperam o dique da ordem preexistente, como a despedaçar muralhas de cativeiro, e, em condensação penetrante, passaram ao novo modo de conhecer e julgar a sorte do povo brasileiro.
Quando a vida em meditação já se estende por muitos decênios, a consciência ansiada, a inteligência jamais satisfeita no conhecer o que interessa; quando, mergulhados no fluxo do pensamento geral, somos por ele arrastados, reagindo a cada impressão nova, haurindo o ensinamento por todos os veios de onde ele venha; aceita-se, finalmente, o conceito bergsoniano, e que já o era de C.
Peice, de W. James, de Fechner: que a verdade é uma condensação de experiência, e o conhecimento tem de ser surpreendido diretamente, rapidamente, no transmutar das coisas. O estudo propriamente dito, quando muito, dará o método, ou a atitude que nos permite alcançar o conhecimento na fugacidade do seu transluzir.
Há, no entanto, que só o afeto predispõe para essa condensação de experiência em que se institui a verdade. Por isso mesmo, todo legítimo pensamento, antes de ser pensado, foi sentimento-desejo, em projeção para a vontade. Compreenda-se o brasileiro, senhor do seu pensamento, e que, em face do momento, não pode ser um cético, nem se resigna ao desinteresse: dá conceito ao que sente, rompendo com as fórmulas correntes, para afirmar a indispensável renovação. E examina, então, as doutrinas políticas como expressão abstrata de movimentos sociais, variando de valor em função dos mesmos movimentos. É quando se impõe a verdade: as doutrinas de ordem soberana, intransigente e definitiva, são aberrações. Envelhecendo, morre-nos o ardor revolucionário – quando ele é feito de insofrida ambição; morre-nos, talvez, a confiança na própria ação; mas o conceito – condensação de experiência tem mais razão, e é mais seguro. Do caráter, vai-se o que valia, apenas, como processo de extensão pessoal, e tudo que assim se perde, destaca o cerne da convicção com que se encara o destino, e que já é fidelidade do indivíduo a si mesmo. E explica-se que não sejam da velhice as abdicações morais, nem os perjúrios desclassificadores.

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