Paulo Serra & Sónia Sá (Orgs.) – Televisão E Novos Meios

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A era da convergência mediática veio ampliar a oferta de conteúdos televisivos, num esforço constante da TV para manter o volume de audiências que a afirmou como o medium de massas por excelência. A centralidade é, agora mais do que nunca, das audiências, as quais constituem não só um número precioso para a atribuição de valor à atenção e, por conseguinte, de rentabilidade das empresas de média, mas também se assumem como um conjunto de sujeitos ativos, que produzem conteúdos, que emitem opinião e que se apropriam dos conteúdos produzidos pelos profissionais.
A era é de convergência entre os conteúdos on e off-line e entre conteúdos produzidos por profissionais e pelas múltiplas audiências crescentemente ativas. Este contexto de partilha reequaciona a produção e o consumo dos vários géneros televisivos, o que nos obriga a uma análise do medium em articulação com os denominados novos média.
Para lá dos propósitos dos produtores televisivos, o livro tem em conta, inevitavelmente, o envolvimento crescente que as audiências evidenciam com os inúmeros conteúdos que procuram, que consomem, de que se apropriam, que produzem e que reproduzem. E, ainda que a clássica fórmula para atrair audiências por parte dos operadores televisivos se tenda a manter – oferecendo o conteúdo mais atrativo para fixar o maior número de espectadores de determinado programa –, é crescentemente notório que tanto produtores como consumidores disputam estratégias para a reabilitação da expressão “ver televisão”.
Assim sendo, se as audiências (re)apreendem o poder que têm sobre a construção de significados na produção mediática e na circulação da mesma, os produtores televisivos, por seu turno, procuram desesperadamente (novas) estratégias para que essas audiências se sintam satisfeitas com os conteúdos emitidos. Para isso, socorrem-se dos alertas permanentes que os seus destinatários emitem, reorientando a oferta de forma a responder de maneira célere às demandas das audiências; audiências estas cada vez mais móveis, de atenção inconstante, independentes das grelhas pré-definidas pelas empresas televisivas e mais e mais participativas. Ou seja, audiências que, por um lado, se envolvem com os seus conteúdos favoritos (destacando-se, na atualidade, as inúmeras séries de ficção televisiva) e, por outro, se desligam mais facilmente do que nunca das propostas que, à partida, não lhes satisfazem as necessidades de informação ou de entretenimento.

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