Antonio Albino Canelas Rubim (Coord.) – A Ousadia Da Criação: Universidade E Cultura

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O livro A ousadia da criação: universidade e cultura tem agora sua segunda edição em momento muito oportuno: na comemoração dos 70 anos da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O livro, publicado originalmente em 1999, derivou da pesquisa Comunicação e Cultura na Bahia dos anos 50/60, apoiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) nos anos de 1990 a 1994. A temática mais ampla da investigação permitiu desvelar e visitar a então Universidade da Bahia em seus primórdios e inscrevê-
la no turbilhão modernista vivenciado no estado a partir da descoberta do petróleo, da implantação da Petrobras, do surgimento dos Cadernos da Bahia, da vibrante passagem de Anísio Teixeira pela educação e cultura da Bahia e de diversos movimentos que abalaram a tranquilidade da “Boa Terra”.
Naqueles anos, de modo singular, a UFBA ousou no campo da cultura. Ela se destacou entre as universidades públicas federais por seu investimento no campo cultural. Basta rememorar alguns exemplos para perceber a extensão dos enlaces tecidos entre cultura e universidade. Do pioneirismo das escolas de artes (Dança, Música e Teatro) e do Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO) aos inovadores Laboratório de Geomorfologia, de Milton Santos, e Laboratório de Linguística, dirigido por Nelson Rossi, com seu Atlas Prévio dos Falares Baianos.
A ousadia produziu espaços institucionais criativos e, sobretudo, estimulou diálogos interculturais entre eles. Tal atitude, que hoje pode ser nomeada de mit (multi, inter e trans) disciplinar possibilitou a construção de um singular ambiente criativo, que inibiu guetos culturais e conectou a Bahia com o país e com o mundo. Diferente do universo nacional-popular, que predominava no país entre os setores culturais de esquerda, ou das afinidades cosmopolitas de vanguarda, por exemplo, das Bienais de São Paulo, na Bahia floresceu uma cultura que buscava diálogos entre global e local, universal e nacional, erudito e popular. A convivência nessa ambiência cultural singular pode elucidar o papel inaugurador e inovador dos baianos nos anos 1960 em marcantes movimentos renovadores da cultura brasileira, a exemplo do Cinema Novo e da Tropicália.
A constituição desse horizonte criativo demandou o acionamento de muitos artistas e intelectuais estrangeiros e brasileiros.

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