O presente volume, que reúne importantes contribuições apresentadas no III Congresso Brasileiro de Epidemiologia, II Congresso Ibero-Americano e I Congresso Latino-Americano, testemunha, de maneira ímpar, ainda quando comparado aos demais textos que integram esta série de coletâneas, a diversidade da produção na epidemiologia contemporânea e o vigor de suas inter-relações com diversos campos do conhecimento humano. Propositadamente, os editores escapam aqui às definições temáticas em proveito da abertura do debate epidemiológico à multidisciplinaridade, senão à verdadeira interdisciplinaridade.
O livro que o leitor tem em mãos cumpre plenamente as expectativas formuladas no Boletim Especial da ABRASCO, publicado em julho de 1995, logo após a realização do Congresso. Naquela ocasião, a Comissão de Epidemiologia da ABRASCO expressou o desejo de congregar todas as correntes de pensamento atuantes no campo da disciplina, desejo plenamente satisfeito por um congresso que primou pela abertura de novas perspectivas e pelo diálogo da epidemiologia com diversas ciências e práticas.
Além disso, a interação entre instituições e grupos de pesquisadores brasileiros e colegas latino e ibero-americanos, também registrada neste volume, revelou-se muito fecunda e deu origem a parcerias de trabalho e debates que vêm atravessando esses anos transcorridos entre o Congresso de 1995 e a publicação dos trabalhos então apresentados.
Seria impossível resumir aqui a variedade de temas que compõem o presente livro e optamos, antes, por tentar delinear alguns eixos que possibilitam encontrar certa unidade em meio à vigorosa diversidade de perspectivas, métodos e propósitos. É possível divisar na epidemiologia contemporânea a abertura para um diálogo profícuo, tanto com as ciências biológicas quanto com as humanas, além de um esforço sistemático de fundamentação epistemológica da disciplina. Nesse último sentido, é muito interessante a tentativa, aqui registrada, de reflexão sobre a interface entre epidemiologia, matemática e filosofia, e seus desdobramentos nas questões metodológicas centrais à evolução recente da epidemiologia.
No âmbito do debate simultâneo com as interfaces biológicas e sociais, temos aqui exemplos de como abordar questões contemporâneas complexas, como a pandemia pelo HIV/AIDS , a partir de perspectivas diferentes e complementares que, sem perder sua especificidade e densidade epistemológica própria, contribuem para a compreensão e enfrentamento do problema.

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