Leonor Franco De Araujo & André Lázaro (Orgs.) – Caminhadas Dez Anos Depois: Relatos De Universitários De Origem Popular

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O volume 6 da Coleção Estudos Afirmativos – Caminhadas Dez Anos Depois, que o leitor tem em mãos, ou diante da tela, é um canto de lutas, vitórias, desafios e histórias ainda em curso. Há dez anos, uma parceria virtuosa entre o Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, o Ministério da Educação e universidades federais resultou na publicação de 32 volumes que integram a Coleção Caminhadas de Universitários de Origem Popular, cada um deles contendo ao menos 25 narrativas autobiográficas sobre o trajeto que os estudantes percorreram até chegarem à universidade.
À época, estávamos no fragor da batalha pela adoção de cotas nas universidades públicas brasileiras, com algumas instituições assumindo riscos, outras silenciando diante da injustiça de processos seletivos que excluíam legiões de jovens capazes e dispostos a aprender. Em 2006, a redação desses livros era ao mesmo tempo um ato de luta, de superação, de denúncia e de comemoração. Hoje, dez anos depois, alguns deles retornam para nos contar como tem sido o tempo vivido daquele momento até agora. Como antes, esses jovens têm muito a ensinar. Para quem duvida, basta ler as narrativas reunidas neste volume.
Na edição de 2006, os textos publicados eram parte das atividades do Programa Conexões de Saberes. O programa teve origem nos trabalhos que o Observatório de Favelas havia realizado na Favela da Maré (localizada na cidade do Rio de Janeiro) e, posteriormente, desenvolvido em experiência-piloto com estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Devemos a Jailson Souza e a seus colegas do Observatório a proposta metodológica que ganhou adesão de inúmeras universidades federais. Jailson, por mais de dois anos, viajou pelo país apresentando a professores, gestores, técnicos e estudantes o Programa Conexões de Saberes, que partia de premissas claras: os estudantes de origem popular devem entrar de cabeça erguida nas instituições públicas de educação superior para, entre outras atividades, levar seus saberes, fortalecer as relações entre as instituições e as comunidades de origem e questionar essas mesmas instituições quanto à sua capacidade (e também vontade e disposição) de acolher esse novo perfil de ingressantes.

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