João Canavilhas & Catarina Rodrigues (Orgs.) – Jornalismo Móvel: Linguagem, Géneros E Modelos De Negócio

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As vendas de dispositivos móveis continuam a crescer em todo o mundo. Uma das consequências deste aumento é o incremento exponencial no volume de acessos a conteúdos online, seja via app ou browser.
Naturalmente, a este aumento de vendas deveria corresponder uma subida das receitas nos meios de comunicação social, porém isso não acontece em nenhuma das fontes tradicionais: vendas e publicidade. Esta situação tem vindo a provocar uma enorme instabilidade no ecossistema mediático, com impactos importantes no processo de evolução do jornalismo para novas plataformas. Em lugar do aparecimento de novos formatos e linguagens adaptadas a uma receção tecnologicamente avançada, nas últimas duas décadas temos assistido a um fenómeno de transposição e replicação de conteúdos tradicionais, havendo hoje um fosso cada vez maior entre o potencial dos dispositivos de receção, os conteúdos produzidos pelos meios de comunicação e as expectativas dos consumidores.
O mais intrigante em todo este processo é que a parte tecnológica (fabricantes de dispositivos, desenvolvedores de sistemas e fornecedores de serviços de telecomunicações) regista um crescimento notável na faturação, enquanto alguns dos produtores de conteúdos, sobretudo os jornais, continuam a lutar pela sobrevivência uma vez que as receitas tradicionais caíram a pique.
Embora surjam algumas experiências de sucesso, que pela sua originalidade foram objeto de estudo neste livro, poucos são os casos em que é possível generalizar a sua aplicação. Em parte, porque se tratam de publicações com características únicas e não replicáveis na esmagadora maioria dos meios de comunicação existentes.
Perante esta realidade, multiplicam-se os fóruns de discussão em torno dos modelos de negócio aplicáveis ao jornalismo para dispositivos móveis, mas continua por identificar, se é que algum dia o será, um conjunto de ferramentas que permitam solucionar a atual falta de recursos financeiros no setor.
Embora o modelo inicial de acesso gratuito ainda seja o mais habitual, modelos mistos (freemium; venda de apps) e de pagamento (paywall) estão em crescimento e têm sido testados com algum sucesso em meios com características muito específicas. Por serem publicações de nicho com grande valor acrescentado para os consumidores (princípio da escassez de informação) ou por terem audiências de dimensão global (economias de escala), estas publicações otimizaram um modelo económico satisfatório, mas estes casos não podem ser generalizados e, por isso, não respondem à pergunta fundamental: quem paga o jornalismo nos novos meios?

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