A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) é herdeira e continuadora de duas das mais antigas instituições do país.
A Escola de Minas, a primeira dedicada ao estudo de mineração e geologia, data de 1876. Anterior a ela é a Escola de Farmácia, a primeira da América Latina, criada em 1839. É da fusão entre ambas e outras escolas de ensino superior na região que nasce a UFOP, em 1969.
Tanta antiguidade e tradição representam um legado relevante num país novo como o Brasil, mas, ao mesmo tempo, é preciso situar no tempo e no espaço essa antiguidade: na época da fundação de ambas as escolas, a escravidão ainda reinava nas Minas Gerais e no Brasil. Ser em Minas não é pouco: pois para lá fluíram imensos contingentes de africanos escravizados; foi lá que se dedicaram, sob forte vigilância, à extração do ouro e a outras atividades; ali sofreram e morreram milhares de pessoas retiradas à força da África e submetidas às piores condições de vida. Certamente, poucos tinham a chance de olhar para esses prédios majestosos que abrigavam os filhos das classes dirigentes.
Nenhum deles teria imaginado que seus descendentes poderiam um dia pisar nas escadarias, andar pelos corredores, sentar-se nas salas de aula e concluir seus cursos com o diploma merecido nas mãos.
Este dia chegou! Mas o modo como a população e os movimentos sociais de Ouro Preto constroem este dia é que nos interessa especialmente.
O livro que temos em mãos, do professor, pesquisador e militante Adilson Pereira dos Santos, traz o relato de primeira hora dessas lutas e conquistas. Foi a comunidade organizada que adotou formas de pressão e diálogo para que a UFOP organizasse uma política de acesso que abriu as portas da instituição para os estudantes de escola pública, muitos deles descendentes daqueles escravos que foram capazes de erigir a imponência da
cidade de Ouro Preto, mas não foram autorizados a desfrutar da riqueza que saiu de suas mãos.

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