A publicação ora apresentada descreve, relata, caracteriza, analisa os contornos da opressão, segregação, discriminação, do não reconhecimento da igualdade entre gêneros. Apesar de estarem presentes há muitos séculos em nossa sociedade, os processos de reconhecimento do “lugar” ocupado pelas mulheres ainda são insuficientes.
Diante disso, é um privilégio poder constatar, sobre vários “olhares”, as opressões (encharcadas de violências, incluindo as simbólicas) e desigualdades vivenciadas pelas mulheres ao longo da História da humanidade. Refletir sobre searas diferentes, dando visibilidade ao que não se tinha, mas, também, ao que pode ser caracterizado como transgressão ao status quo, que entre outros as (os) sentenciou à fogueira, ao encarceramento em conventos: históricos modos de segregação, discriminação, exploração, não reconhecimento dos direitos, mas que, ao lado destas, foram edificadas maneiras de resistência que, cumulativamente, permitiram as lutas e conquistas atuais.
Com exceção de um homem (que escreve com uma mulher), os demais textos foram escritos por mulheres. Ele e elas têm algo em comum: luta intransigente por direitos e práticas não coercitivas. Como aponta Patrícia Lessa, “os feminismos surgem justamente para sacudir as evidências […] questionar a divisão sexual da sociedade, opor-se à hierarquização dos gêneros”.
Para melhor compreensão e articulação das análises aqui expostas, optou-se por dividir o presente livro em duas partes: Parte 1 – Mulheres e literatura; Parte 2 – A importância da pesquisa na descrição e análise de violências contra as mulheres.
Para apresentação de cada artigo, preferiu-se utilizar, em grande medida, citações diretas dos textos. O objetivo foi o de dialogar diretamente com o demarcado e interpretado, dando ênfase ao defendido pelas escritoras.
A Parte 1 é integrada por três artigos: 1. Escrita literária feminina: conquista de autonomia e reconhecimento, com autoria de Salete Rosa Pezzi dos Santos; 2. Estudos culturais de gênero: implicações nos estudos literários, de Cecil Jeanine Albert Zinani; e 3. O cotidiano: uma crônica sobre a sutileza da opressão do feminino, elaborado por Daísa Rizzotto Rossetto e Caroline Ferri.

Deixe uma resposta