Lev Tolstoi – Os Cossacos

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A novela, publicada pela primeira vez em 1863, na revista Rússkii vêstnik (O mensageiro russo), ocupou a atenção do autor durante mais de 10 anos. Quando Tolstói parte para o Cáucaso em 1851, está envolvido em um processo de auto-aperfeiçoamento moral. Não tem planos bem definidos, mas espera que a permanência nessa região contribua para esse processo, por influência do contato com a natureza, dos valores e costumes da região e de situações que apenas conhecia por meio das obras de Púchkin e Lêrmontov.
Uma vez no Cáucaso, alista-se no exército como cadete, e leva a vida de um oficial da nobreza, o que frustra suas esperanças de avançar em seu aperfeiçoamento moral:
Como vim parar aqui? Não sei. Para quê? Também não sei. Gostaria de escrever muito: acerca da viagem de Astracã à stanitsa1, acerca dos cossacos, da covardia dos tártaros e acerca da estepe […] Queria escrever muito, mas […] estou obcecado pela preguiça […] A natureza, na qual confiava mais do que em qualquer outra coisa quando tinha o objetivo de vir para o Cáucaso, não representa, até agora, nada atraente. A ousadia que esperava que se manifestasse em mim, também não apareceu.
De qualquer maneira, ocupa-se com o trabalho sobre a novela Infância e, paralelamente, escreve seu diário, no qual, além das tarefas do dia e programas de atividades para o futuro, anota as primeiras impressões de sua vida no Cáucaso. Tudo isso surge não com o plano definido de escrever a novela, mas por causa do sucesso de Infância. Tolstói começa a interessar-se seriamente por ser escritor, e tudo o que é relativo à vida caucasiana se torna o motivo predileto de seus exercícios literários. Em cadernos de anotações, folhas soltas e no diário, começam a aparecer descrições como esta, de 1851:
Noite clara, um ventinho fresco percorre a tenda e faz vacilar a luz da vela já consumida. Ouve-se um longínquo latir de cachorros no аaul2 e a chamada de verificação do sentinela […] Noite milagrosa! A lua acabou de sair de trás de um montículo e iluminou duas pequenas e finas nuvenzinhas baixas […] de novo, tudo fica calmo e, de novo, ouve-se só o assobio do grilo e arrasta-se uma nuvenzinha levinha e transparente do lado das estrelas longínquas e próximas.

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