Desde o nosso primeiro evento sobre jornalismo para dispositivos móveis, realizado em Outubro de 2009, muita coisa mudou. O iPhone era então um modelo relativamente recente (lançado em junho 2007 nos EUA) e o iPad não passava de um rumor que se tornou realidade em 2010. Nesse mesmo ano, a Samsung lançou a série de smartphones Galaxy e, no ano seguinte, a marca sul-coreana entrou no mercado dos tablets com o lançamento dos Galaxy Tab.
Neste primeira iniciativa, intitulada “Encontros na Montanha”, participaram investigadores, jornalistas e empresas de comunicação, tendo sido esmiuçado um mercado ainda com pouca expressão.
Três anos depois, em novembro de 2012, o evento ganhou um novo formato passando a chamar-se JDM – Congresso Internacional Jornalismo e Dispositivos Móveis. O mercado cresceu muito e só nesse ano venderam-se 722 milhões de smartphones e 128 milhões de tablets, o que representou crescimentos anuais de 46,1% e 78,4%, respectivamente. Os meios de comunicação social acordaram  então para uma nova realidade, entrando-se num período de forte “apificação” graças à aposta nas aplicações nativas para iOs e Android. Embora o consumo de notícias já fosse uma das atividades preferidas pelos utilizadores destes dispositivos, o jornalismo ainda não tinha encontrado um modelo de negócio.
Dois anos depois, em dezembro de 2014, o segundo JDM voltou a reunir um vasto número de investigadores que trabalham na área do jornalismo para dispositivos móveis. As apresentações e discussões ocorridas durante o evento mostraram uma evolução assinalável no campo da investigação. Este livro – Jornalismo para Dispositivos Móveis: produção, distribuição e consumo – compila os melhores trabalhos apresentados no evento, que para o efeito foram organizados em quatro capítulos.
As características técnicas dos dispositivos de consumo são um elemento fundamental na definição das narrativas jornalísticas. Se por um lado condicionam o trabalho dos profissionais, por outro são um importante fator de diferenciação intermediático e uma janela de oportunidade para a afirmação dos novos meios face aos tradicionais. Os textos incluídos neste capítulo mostram exemplos de narrativas adaptadas aos dispositivos móveis e apontam caminhos que podem explorar o potencial de smartphones e tablets.

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