Ao longo da história, muitos grupos sociais foram desenvolvendo saberes e estratégias de como lidar com a questão da pobreza e da opressão e enfrentá-las. Esses grupos sempre foram marginais, pois a pobreza e a opressão são condições para a riqueza e o poder dos grupos dominantes.
O advento do Cristianismo, com sua ênfase na prática da caridade dirigida aos mais fracos, teve grande impacto nesse processo. A partir de Marx, esse trabalho social com os subalternos passou a ser um campo de intensa reflexão crítica e um tema importante do debate acadêmico nas Universidades.
É evidente que a pobreza e a opressão não são superadas apenas com ações localizadas e centradas na ajuda a situações particulares ou na transformação moral das pessoas. É preciso também enfrentar as estruturas políticas e econômicas que as produzem.
No entanto, a crítica marxista à vida religiosa, inicialmente, separou a tradição cristã de trabalho social do debate sociológico crítico, em expansão nas Universidades. Apenas nos meados do século XX, na Europa, vai ganhando consistência acadêmica uma reflexão que buscava conciliar a experiência de ação social cristã, regida pela valorização da amorosidade e da subjetividade, com o debate crítico e as propostas do marxismo. A união de cristãos e comunistas europeus, no enfrentamento do nazismo, durante a Segunda Guerra Mundial, facilitou muito esse processo.
No Brasil, essas ideias começam a chegar, principalmente, através do Movimento Ação Católica, com seus diversos setores: a Juventude Universitária Católica ( JUC), a Juventude Operária Católica ( JOC), a Juventude Estudantil Católica ( JEC), entre outros.
Movimentos similares acontecem em setores de algumas igrejas evangélicas.
Muitas práticas sociais voltadas para os pobres passam a se expandir, com a participação de intelectuais, estudantes e lideranças populares. A dinâmica social, própria da América Latina, com seus movimentos sociais muito influenciados pela radical opressão e desigualdade imperantes e pela forte influência cultural indígena e africana, vai reorientando as suas práticas de trabalho social.
No início da década de 1960, a Educação Popular se estrutura como uma sistematização teórica do saber, que foi se acumulando por meio desse movimento de intelectuais, técnicos e lideranças populares voltados para a construção de uma prática pedagógica junto com populações mais pobres, que não reproduzisse o paternalismo e o vanguardismo das práticas de trabalho social até então dominantes.

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