Paulo H. Pappen – A Revolta Da Pizza

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Daí, quando todo mundo já não tinha mais esperança de que um dia iam finalmente liberar as drogas, resolveram proibir também a pizza.
Botaram a maior invenção da humanidade na mesma lista da maconha da cocaína do crack do cigarro e da cola, e de uma hora pra outra qualquer pãozinho com molho e queijo por cima passou a ser altamente suspeito. Quem fosse pego fazendo, comendo ou com pizza no bolso era condenado a prisão perpétua, mais os espancamentos.
Da noite pro dia, noventa e sete por cento da população italiana foi pra cadeia. Como não tinha penitenciária suficiente pra toda essa gente, tiveram que alugar celas de cadeia na Holanda, o único país do mundo a não entrar na onda de proibição e, portanto, o único lugar com vagas disponíveis no sistema carcerário.
Em Amsterdam, rapidamente se criou um Distrito Amarelo, onde (tendo dinheiro) tu podia comer pizza sem medo de ser feliz.
A resistência no Brasil não foi das maiores, mas foi o suficiente pra eu me sentir convocado à luta. Pus a mão na massa logo que saiu o decreto e chamei uns amigos pra comer pizza lá em casa. Cada um levou um pouco de queijo e tomate, e levaram também a notícia de que, nos supermercados, parecia o apocalipse: todo mundo enchendo os carrinhos de coisas pra colocar na pizza. Porque, acredite se conseguir, todo mundo achava que ia poder fazer pizza pelo menos na própria casa, escondido. Mas já naquela primeira noite a polícia levou uma caralhada de gente pra cadeia, invadindo residências onde o cheiro de manjericão tava muito forte.
Lá em casa não aconteceu nada de horrível, pelo contrário: a gente tava animado.
Quem tava lá: o Augustavo, a Flamínea e a Lasanha.
Parece nome falso né, mas não é. Acontece que eu sempre escolhi meus amigos pelo nome deles.

     

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