Helton Rubiano De Macedo – Ensaios De Editor: Pensando Livros, Projetos E Práticas

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Existe uma máxima popular de que definir-se é limitar-se. É verdade. Contudo, como todo homem é, por natureza, limitado, os produtos que desenvolve também o devem ser. Assim me arriscarei a delinear alguns traços do que seria o dito livro. Há algum tempo, essa pergunta poderia parecer óbvia, afinal, livro é livro. Ponto final. Entretanto, com a chegada de novos formatos para esse objeto, sua definição parece deixar de ser evidente e permitir-se ser questionável. Se o livro era considerado, até pouco tempo, um ajuntado de folhas, umas sobre as outras, em ordem definida, coladas sob uma capa, com a chegada de suportes digitais, esse conceito, tanto do ponto de vista material como simbólico, pode ser repensado ou minimamente flexibilizado.
O livro como objeto transformou-se ao longo do tempo. Em termos tangíveis, estudos comprovam que diferentes materiais foram utilizados na sua confecção.
Úrsula E. Katzenstein, em A origem do livro, explica que desde tempos remotos o homem tem retirado da natureza os insumos para afixar sua expressividade, entre eles a pedra, a areia, o mineral, a madeira, a casca e a folha de árvore. Já dos animais, eram retirados a cera, o chifre, o osso e o marfim. Com o mesmo objetivo, muitas vezes os indivíduos usavam o próprio corpo, pintando e escrevendo sobre a pele.
O registro da informação, com vistas à comunicação, se mostra uma prática que remonta os primórdios da humanidade.
No começo, existiam os livros em formato de tábuas ou tiras. Posteriormente, foram produzidos em forma de rolo. Esses rolos eram feitos de papiro ou de pele de animais, presos a duas hastes. Há evidências de que eles tinham em média de seis a dez metros de extensão, podendo chegar a 40 ou 100 metros. Em outro momento, conhecemos o livro em formato de códex, tipo mais difundido hoje, em forma de cadernos.
Contudo, foi a partir do século XV que o livro assume o papel de artefato produzido em larga escala. Isso ocorre devido à invenção da prensa de tipos móveis pelo alemão Johannes Gutenberg. De lá pra cá, a indústria gráfica se modernizou, com a criação de novas máquinas, ampliando a produção e as alternativas de impressão e acabamento de materiais impressos.

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