O Grupo de Trabalho A Mulher na Literatura da Associação Nacional de Pós-Graduação em Letras e Linguística (Anpoll) foi criado em 1985. São trinta anos de atuação do GT em pesquisas e ações sobre a presença da mulher na literatura, considerando a crítica feminista e os estudos de gênero.
Um dos eixos norteadores do trabalho desenvolvido pelo GT se refere à legitimidade institucional das pesquisas com a temática mulher e literatura. Os estudos feministas e de gênero têm contribuído para a reavaliação de antigos conceitos de autoria e representação feminina, estabelecendo novos posicionamentos em relação aos estereótipos concernentes aos temas e gêneros literários, assim como reavaliando as convenções da escrita produzida por mulheres. Cabe, no entanto, ponderar-se sobre o poder político desse acesso e os espaços ocupados por essa produção literária. Ainda hoje se percebe uma participação desproporcional de escritores e escritoras que contribuem para escrever a história literária. A desigualdade simbólica, social e política se reflete nessa participação literária.
Cabe o reconhecimento de que, se ainda não há uma participação equânime e plural na literatura, é possível reconhecer igualmente que houve avanços significativos nesse sentido. Cumpre refletir sobre esse percurso, detendo-se na questão conforme ela se apresenta, e ensejando prospecções que possibilitem mais e maiores avanços. Cabe destacar a necessidade de se perceber como essas mudanças repercutem no momento atual, de que forma as nuanças, sutilezas ou força dessas modificações se fazem sentir presentemente, assim como os pontos de latência nessa trajetória da produção literária feminina que ainda reverberam ou se mimetizam à sociedade.
O livro enfatiza as duas linhas de pesquisa atualmente em vigor no GT: Resgate e Contemporaneidades. Essas duas linhas de certa forma já demonstram os principais enfoques de pesquisa do grupo atualmente. A linha de Resgate se destaca por sua ênfase em conhecer/reavaliar as escritoras do passado que acabaram sendo ignoradas em seu tempo ou outras que tiveram seu trabalho reconhecido, porém passaram por um processo de “esquecimento”. Somente com o trabalho de resgate a produção literária dessas escritoras pode voltar a ser lida e avaliada. A linha de Contemporaneidades considera o trabalho de resgate empreendido, posiciona-se no presente, buscando contribuir com as mais recentes tendências teórico-críticas, além de projetar o pensamento a novos conceitos e posturas sobre a mulher no campo literário, em sua especificidade como também em interação com outras áreas.

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