Juliana Pacheco (Org.) – Mulher E Filosofia: As Relações De Gênero No Pensamento Filosófico

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O cenário filosófico sempre foi composto por grandes filósofos que contribuíram com suas teorias para a construção e visão da sociedade e humanidade. Contudo, há uma questão que se mostra relevante para a filosofia e que se mantém obscurecida: Onde estão as filósofas na filosofia? Esta é uma questão que vem fomentando alguns pesquisadores (as), os (as) quais buscam desobscurecer a presença feminina na filosofia, pois como sabemos a filosofia ainda é um campo dominado pela figura masculina.
Atualmente os estudos acerca das relações de gênero no pensamento filosófico vêm tomando maiores proporções, porém, ainda há uma escassez de trabalhos voltados a este tema – principalmente aqui no Brasil. Este é um estudo que se faz emergente na medida em que notamos certa negligência para com as produções filosóficas do público feminino. Isto se apresenta visível nos cursos de graduação e pós-graduação em filosofia, onde o número de mulheres é quase nulo. Por que não são trabalhadas filósofas nos cursos de filosofia? Por que elas não são mencionadas? Não é por haver inexistência de produções e teorias filosóficas de mulheres, mas por haver falta de reconhecimento daqueles que atuam na filosofia.
Mas por que isso ocorre? Será que as mulheres possuem uma capacidade intelectual distinta da dos homens? Seus textos apresentam algum aspecto em especial por serem
escritos por mulheres?
Ao longo dos séculos, as mulheres foram representadas de modo pequeno e inferior, não sendo concedida a elas capacidade racional e intelectual, deixando-as reclusas em espaços restritos, e assim, impedidas de exercer qualquer atividade ligada ao intelecto e ao bem público. Deste modo, elas não tiveram oportunidade de mostrar que suas capacidades e habilidades transgrediam o núcleo dos afazeres domésticos.
Esta atribuição dada às mulheres é fruto de discursos misóginos – muitos proferidos por filósofos – que justificavam a submissão e inferioridade feminina com base em aspectos biológicos e naturais. Alguns discursos eram proferidos de forma amena, onde apelavam para a existência de uma essência feminina, e com isso buscavam racionalizar as diferenças entre homens e mulheres, para assim obter uma explicação que justificasse as desigualdades e a exclusão da mulher nas tarefas e espaços “denominadamente” masculinizados.

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