Cecília Meireles – Viagem

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Viagem foi publicado em 1937 e é considerado o primeiro livro que a autora Cecília Meireles levou a sério, já que os anteriores “Espectros”, “Nunca Mais…”, “Poemas dos Poemas” e “Baladas para El-Rei” nem sequer foram incluídos por ela em sua “Obra Poética”, em 1958.
Em busca de se desvincular do Simbolismo, a autora se empenha em um projeto que buscava uma “poesia de qualidade”, aos moldes do modernismo brasileiro. Isso pode ser constatado através dos poemas que foram escritos entre o período de 1929 a 1937, do livro “Viagem”.
Embora ferrenhamente criticada por alguns autores modernistas como Mário de Andrade, por ter se curvado à Academia Brasileira de Letras, também era por ele elogiada, principalmente pela sua capacidade criadora. Cecília ganhou, em 1938, o prêmio da Academia Brasileira de Letras, e Mário de Andrade afirmou que na verdade quem foi premiada ao conceder o prêmio a Cecília foi a própria ABL. O autor afirma ainda que com o livro “Viagem” ela passaria a se firmar entre os maiores poetas nacionais.
O livro é composto por 99 poemas, sendo que 13 deles são epigramas (poema curto originário da Antiguidade Clássica, e caracterizado por ser mordaz, picante ou satírico). Os temas tratados nos poemas são o amor, a felicidade, a morte, e o próprio fazer poético.
Quanto à forma, os poemas apresentam muita variação, sendo escritos alguns em versos livres, outros metrificados, uns sem rima e outros rimados.
Uma das características modernistas dos livros é a aproximação com a cultura popular, com temas variados e bem simples. Além disso a poetisa trata de música, luzes, cores, natureza, e demais sentidos do ser humano. A obra é inovadora ao retratar uma viagem interior, introspectiva, ressaltando problemas enfrentados pelo ser humano como a solidão, a melancolia, o sonho, as saudades e o sofrimento.

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