O Serviço Social enquanto profissão faz parte de nossa trajetória de vida desde o final da década de 1970 e início dos anos 1980, quando descobrimos que as atividades que desejávamos executar pertenciam não à Psicologia, como pensávamos, mas à profissão de assistente social.
Uma profissão ainda pouco conhecida na cidade interiorana de Bebedouro, mas o curso encheu-nos a alma, com o desejo de executar o que estávamos aprendendo, um misto de psicologismo e criticismo, com leituras de livros de Paulo Freire quase às escondidas, aprendizado de técnicas de planejamento e projetos, de diferentes abordagens para entrevistas individuais, trabalho em grupo e em comunidade. Era o tempo de Serviço Social de Caso, Serviço Social de Grupo e Serviço Social de Comunidade, na visão ainda fragmentada das necessidades sociais, ainda que já se sentissem críticas ao modelo.
A trajetória na profissão foi marcada pelo desafio constante de provar às pessoas envolvidas no trabalho, que ser assistente social era, sim, uma profissão, e que suas atividades compreendiam algo mais do que distribuir cestas básicas, e que a visita domiciliar não era para destampar panelas no fogão, nem abrir armários para conferir o que estava sendo feito com a alimentação e o leite recebidos, e tampouco ensinar a lavar roupas e tirar piolhos das cabeças de todos os integrantes da família.
Vez por outra, escutamos histórias de alunos em seus estágios e de profissionais recém formados relatando que são ainda confrontados com a mesma realidade e que, muitas vezes, a grande dificuldade em fazer avançar o trabalho está no entendimento que as pessoas dirigentes em geral possuem do Serviço Social, tanto na esfera pública como na privada.
E, muitas vezes, o profissional, dependente do seu salário, é obrigado a realizar tarefas nem sempre específicas do Serviço Social, a interromper projetos e ações com a mudança de governos ou de diretorias. No entanto, ouvimos igualmente relatos de mudanças positivas na esfera de ação do Serviço Social quando as pessoas dirigentes, em qualquer setor, são assistentes sociais ou têm familiaridade com a profissão, permitindo um avanço nos serviços prestados.

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