Paola Coelho Gersztein – O Antidecisionismo De Hannah Arendt: O Pensamento Arendtiano Como Crítica À Teoria Decisionista De Carl Schmitt

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O presente trabalho tem por enfoque a análise do pensamento de Hannah Arendt especificamente em contraposição ao decisionismo de Carl Schmitt.
Ambos foram influentes pensadores alemães do Século XX, cujas vidas e cujo pensamento seguiram rumos diametralmente opostos.
Carl Schmitt foi considerado o principal jurista do regime nacional-socialista, tendo por esta razão recebido a alcunha de “o filósofo maldito”. Hannah Arendt, por sua vez, era judia-alemã e vivenciou o terrível contexto das duas Grandes Guerras, tendo de fugir da Europa e viver sob a condição de apátrida por dezoito anos. Posteriormente, sua magistral
obra As Origens do Totalitarismo teve como enfoque o regime que, para muitos autores, fora idealizado por Schmitt.
A escolha destes dois pensadores deve-se à atualidade de seu pensamento em relação ao ponto central de análise deste trabalho: o decisionismo ou a validade da decisão como fundamento da ordem constitucional.
É provável que a evolução do pensamento de autores de biografia menos conturbada não apresente uma relação tão direta entre sua teoria e suas experiências de vida.
Nos casos em apreço, contudo, os dados biográficos adquirem relevância particular e são muito úteis à compreensão das obras de Schmitt e Arendt, razão pela qual serão tratados neste tópico, com a ressalva de que não se pretende fazer um panorama das origens de suas teorias.
A finalidade é a compreensão do pensamento de Schmitt e de Arendt, tendo como fio condutor a validade – ou não – da perspectiva decisionista como definidora da ordem
constitucional.
Carl Schmitt nasceu em Plettenberg, em 1888, no seio de uma família católica, circunstância que exerceu importante influência em sua formação intelectual.
Apenas a título de exemplo, são peremptórias as seguintes assertivas de Schmitt: “todos os conceitos concisos da teoria do Estado moderno são conceitos teológicos secularizados” e “o estado de exceção tem um significado análogo para a jurisprudência, como o milagre
para a teologia”.

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