Existem várias formas de se dizer a mesma coisa. Umas se mostram, às vezes, mais apropriadas que outras, mas o que decide isso são as circunstâncias e o interlocutor. Nenhuma forma pode se julgar, por princípio, superior à outra.
Porém, há certas coisas na vida que são difíceis de se dizer na linguagem acadêmica e formal. Mesmo que o façamos, parece que sempre fica uma sensação de que não chegamos ao fundo da questão. É nessa hora que entram as metáforas.
Comunicar-se é conseguir transmitir um conteúdo interno de uma consciência individual para outra ou outras consciências individuais. Como não podemos fazer isso sem mediações, criamos as linguagens: as palavras (faladas ou escritas), os gestos, o desenho, a música, a poesia etc. Às vezes comunicamos apenas com a nossa forma de viver, outras com um simples olhar. Mas sempre estamos tentando transferir para outra pessoa algo que, de início, só existe em nosso interior.
Sempre acreditei que o sentido da filosofia é uma dessas coisas difíceis de se transmitir apenas com conceitos acadêmicos e linguagem rebuscada. Não que isso não deva ser feito, mas, antes, as pessoas precisam “sentir” o que ela é.
Esta história que o leitor, ou a leitora, tem em mãos é uma metáfora. Ela procura transmitir o que é a filosofia e, ao mesmo tempo, desfazer a falsa idéia de que ela é uma coisa complicada, apenas para especialistas que falam bonito e proferem sentenças apoiados em sua vasta bagagem intelectual.
Escrevi Uma janela para a filosofia como um recurso didático para ser usado quando eu ainda lecionava Filosofia no segundo grau (hoje, ensino médio). O desafio era fazer não apenas que os alunos compreendessem o que era a filosofia, mas que também gostassem dela. Nada melhor que uma história de fácil compreensão, de leitura leve, mas carregada com as idéias que eu queria transmitir. O enredo foi inspirado na tela de René Magritte A chave dos campos, reproduzida da capa do livro Filosofando, de Maria Lúcia de A. Aranha e Maria Helena P. Martins.

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