A globalização não é um fenômeno novo; o desejo de explorar e colonizar todo o território faz parte da natureza humana. Desde a Antiguidade, os mercadores da Mesopotâmia tentaram penetrar territórios cada vez mais distantes para trocar mercadorias; da mesma forma, tanto Ciro II, como Alexandre da Macedônia, ou mesmo Napoleão Bonaparte buscaram colonizar militarmente povos cada vez mais distantes. Mais recentemente, empresas transnacionais passaram a deslocar parte de suas plantas produtivas para regiões longínquas e, da mesma forma, o capital financeiro mundializado passou a se movimentar pelos cantos mais escondidos do planeta.
As atrocidades do Estado, criado pelo homem, fizeram com que a sociedade moderna forjasse uma série de mecanismos de contenção de abusos do Leviatã. Entretanto, o capital, outra criação humana, é também capaz de oprimir e trazer a miséria. Com a mundialização do capital, o outro Leviatã (que voa) vem propiciando desigualdade social, guerras fiscais e precarização do trabalho, dando ensejo a um ambiente explosivo que coloca em causa a paz social e conduz os Estados enfraquecidos a uma corrida para o fundo do poço.
Como bem afirma Joseph Stiglitz,1 “a globalização não tem de ser ruim para o meio ambiente, nem aumentar a desigualdade, enfraquecer a diversidade cultural e promover os interesses empresariais à custa do bem-estar dos cidadãos comuns”. Urge, assim, que se busquem caminhos para que se possa domar o outro Leviatã sem que se tenha, necessariamente, de recorrer a modelos de Estado mais autoritários. É preciso, portanto, estudar caminhos democráticos (pós-nacionais) para que se possa reestabelecer os domínios da política em detrimento do mercado.
A “guerra fiscal” é uma consequência da fluidez do capital mundializado e um efeito perverso da globalização das economias de mercado que revela a possibilidade de captura da esfera governamental fragilizada pelo capital. O fenômeno destrói as bases do Estado Tributário Redistribuidor e fragiliza sua capacidade prestacional. Por outro giro, as inovações tecnológicas e o processo de acumulação capitalista desenfreada geram desemprego estrutural e favorecem a precarização do trabalho, o que vem provocando o crescimento de um imenso “precariado” mundial, que vive na insegurança e na incerteza. Nesse cenário, a sociedade de trabalhadores-consumidores reclama outros mecanismos de repartição da riqueza social para que se possa ter justiça “aquém do capital”.

Deixe uma resposta