Gisela Gonçalves & Tiago Martins (Orgs.) – Interfaces Da Comunicação Com A Cultura Vol. IV

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A cultura é na atualidade reconhecida como um tema central no movimento de agentes, organizações e instituições sociais. O que tangência as suas diferentes concepções talvez possa ser articulada em duas dimensões: antropológica e sociológica. A dimensão antropológica reconhece a cultura a partir dos subuniversos construídos pela interação dos indivíduos no seu cotidiano. Relações que se dão no contexto articulado de predecessores, contemporâneos e, até mesmo, sucessores, para usar um vocabulário fenomenológico. É nesta dimensão que se percebem as práticas, os comportamentos, as maneiras de pensar, agir e sentir dos indivíduos dentro da dinâmica social. A constituição dos pequenos universos de sentido das atividades profissionais, dos grupos étnicos e das questões de gênero, por exemplo, são reconhecidos como cultura, resultando em tudo aquilo que é simbólico e materialmente elaborado e produzido pelo homem.
Na sua dimensão sociológica, a cultura aponta para uma ação intencional de produção cultural, ou seja, há um desígnio manifesto de criar determinados sentidos e de atuar diante de algum tipo de público, “através de meios específicos de expressão”. É por conta da intencionalidade, que se percebem as mãos “visíveis” (o Estado) e “invisíveis” (o mercado) na produção da cultura. Ora, nessa dimensão, a cultura acaba por se configurar dentro de uma estrutura organizada socialmente, um circuito cultural composto por agentes, organizações e instituições responsáveis por dar concretude à produção, circulação e consumo cultural.
Trabalhar com a comunicação organizacional e/ou as relações públicas é trabalhar nesse mesmo contexto antropológico e sociológico em que a cultura se constitui. A própria interação social estabelecida pelas organizações está contida e é a ação humana na cultura. Neste ponto, então, articular estes campos com a cultura é perceber as diferentes interfaces das práticas sociais no contexto das organizações e das relações estabelecidas com seus diferentes públicos. Interfaces estabelecidas pela cultura em que se constitui uma organização – antropológica, em grande medida – ou que pode ser por ela constituída por suas ações intencionais ao longo da dinâmica social. Assim, por exemplo, se percebe que as interações cotidianas de relacionamento entre os “funcionários” e os “diretores” ou o patrocínio a uma renomada companhia de teatro, são elementos estabelecidos na interface entre comunicação organizacional/relações públicas e cultura.

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