Pedro Jerónimo – Ciberjornalismo De Proximidade: Redações, Jornalistas E Notícias Online

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Para que servem os jornalistas? A atualidade da questão lançada por Jay Rosen, há cerca de década e meia, mantém-se. De tal forma que entretanto mobilizou uma outra, lançada pelos editores do Columbia Journalism Review, em 2013: “What is journalism for?” Tudo o que se relaciona com a atividade e profissão está em debate. Da construção noticiosa à relação com o público, passando pelos incontornáveis modelos de negócio. Sobretudo em plena era digital, que já não é marcada apenas pela transição dos átomos para os bits, mas pela possibilidade de toda a comunicação poder ser atualmente feita através de dispositivos móveis. A utilização pessoal dilui-se na profissional e vice-versa. A discussão em torno do jornalismo cívico emerge novamente. É precisamente a partir dele que, há cerca de uma década, Carlos Camponez discutiu o jornalismo de proximidade ao estudar os rituais de comunicação na imprensa regional portuguesa. Contudo, embora a Internet já estivesse nas redações há cerca de sete anos, o meio estudado seria o papel. Passado este tempo, não só pouco se sabe sobre o processo de adoção do meio digital por parte da imprensa regional, como também as suas implicações no quotidiano dos jornalistas.
Quando o fundador do primeiro jornal exclusivamente digital em Portugal quis registá-lo pela primeira vez, não conseguiu. Estávamos em 1998 e a Internet era um meio ainda pouco conhecido pelo Instituto da Comunicação Social (ICS) e muito menos contemplado nos estatutos da Associação Portuguesa de Imprensa (API). O Setúbal na Rede não era nem um jornal, nem uma rádio, nem uma televisão. Antes, era um nativo digital de informação regional. Após meses de persistência, o diretor do cibermeio conseguiria que os estatutos da API fossem alterados e o registro efetuado. O facto da Internet estar há pouco tempo nas redações portuguesas, ajudava a justificar o impasse. Os primeiros passos do ciberjornalismo em Portugal tinham começado três anos antes e desde então praticamente só os principais média é que o estavam a explorar.

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