O século XXI que se encontra no décimo terceiro ano de vigência sinaliza os tempos obscuros nos quais estamos mergulhados. Considerando o fato de que na história da humanidade nunca existiu um período em que houvesse tantos avanços tecnológicos e científicos significativos, igualmente deve se considerar que esses avanços não ocorreram na mesma proporção em relação ao ser humano. Vive-se uma acentuada dissociação entre avanços científicos e tecnológicos quando comparados aos avanços sociais, econômicos e políticos. A busca pela felicidade e eternidade são propulsores do progresso moderno, que subjuga tudo aquilo que não pode ser materializado. Rompendo com a tradição, a modernidade trouxe avanços a custo de dissociações, e, portanto, o homem moderno se vê dicotomizado e enfraquecido
quando se depara com seus aspectos considerados irracionais. Esta postura tem conduzido os rumos do que hoje observamos nos vários aspectos da vida humana, na qual a fragmentação do saber parece ser a representação da fragmentação de um homem que se encontra aprisionado entre aparelhagens tecnológicas cada vez mais sofisticadas.
Ao afirmar isto, inevitavelmente surge no horizonte a presença das novas tecnologias, especialmente as relacionadas à informação e à comunicação. Entre os avanços tecnológicos do século XX, estas últimas são as que têm proporcionado maiores impactos no cotidiano humano.
Incrementadas a partir da década de 1970, com o advento dos computadores pessoais e a consumação da possibilidade da comunicação em rede (world web wide) na década de 1990, as tecnologias de informação e comunicação, entre todas as outras, destacam-se por sua influência imediata no modus vivendi e modus operandi do ser humano deste século. As características de deslocalização, de descentralização, de instantaneidade, de ubiquidade e de aceleração apontam para um novo paradigma já vigente que nos envolve e, na maioria das vezes, paralisa a capacidade de refletir sobre estas novidades. Se, por um lado, abrem inúmeras possibilidades, tais como um maior acesso à informação, manter contato com pessoas fisicamente distantes com maior facilidade, a possibilidade da instantaneidade da comunicação via celular por sua portabilidade, entre tantas outras.

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