A Semana Acadêmica do PPG em Filosofia da PUCRS chegou à 15ª edição no ano de 2015, evento que ocorreu no período de 22 a 24 de setembro. Foram três dias de intensa atividade filosófica com palestras de professores/pesquisadores e sessões temáticas. Em especial, os Grupos de Pesquisa do PPG tiveram papel atuante com debates e apresentações de trabalho de pós-graduandos e graduandos da PUCRS e de outras instituições superiores do Brasil. Ademais, a Semana Acadêmica estimula o debate franco, a pesquisa responsável e a produção de argumentos rigorosos sobre diversos tópicos e problemas em Filosofia. Também proporciona um espaço de publicação de textos de professores, pesquisadores, pós-graduandos e graduandos.
Este quarto volume dos Anais da XV Semana Acadêmica contém o artigo de abertura do Prof. André Brayner de Farias (UCS/PUCRS), um dos palestrantes da XV Semana Acadêmica, e textos vinculados aos Grupos de Pesquisa em Ética, Contemporaneidade e Desconstrução, Críticas Filosóficas da Violência, e Lógicas de Transformação, Críticas da Democracia.

Dificilmente algum tema que queiramos compreender da filosofia de Vilém Flusser não vai conduzir ao desenraizamento. Isso até torna problemática a escolha do tema, quando queremos justo enfatizar esse que é um dos conceitos fundamentais do filósofo tcheco-brasileiro. Antes de mais nada, é preciso lembrar que em Flusser o desenraizamento é uma questão de experiência, basta mencionar o título de sua autobiografia filosófica: Bodenlos
(sem chão).
A problemática se torna mais interessante porque o conceito desenraizamento em Flusser é cheio de ambigüidades: é, num primeiro tempo, a condição da própria desgraça, a violência de ter que abandonar seu chão, seu território, sua cultura; mas depois começa a significar a conquista de uma liberdade singular e plena de potencialidades, liberdade de uma intensidade vital extrema, semelhante à breve vida das flores em vaso com água, como lembra Flusser já nas primeiras páginas de seu Bodenlos dando exemplo do que seria uma vida absurda. É a atmosfera existencial dessa estranha condição pós-histórica, que parece ter toda liberdade possível, ao mesmo tempo que nenhuma; essa condição da vida aparelhada pela multiplicidade do dispositivo, cada vez mais capaz de forjar e converter, segundo interesses calculados, performances perfeitamente reguladas, aperfeiçoáveis e previsíveis.

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