Em pleno Carnaval, quatro homens invadiram o Museu da Chácara do Céu, no bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro, e roubaram cinco obras de arte: um Dalí, um Matisse, um Monet e dois Picassos, cujo valor estimado, na época, ultrapassava 10 milhões de dólares. Naquela tarde de 24 de fevereiro de 2006, os ladrões, de posse de uma granada, renderam os três seguranças, desligaram o sistema de câmeras de vigilância e fizeram nove reféns. Um dos invasores subiu em um móvel histórico para, com uma faca, cortar os fios de náilon que seguravam um dos quadros. Meia hora depois, saíram pela mata para nunca mais serem vistos. Até hoje se trata do maior roubo de arte do Brasil e do oitavo do mundo.
Decidida a desvendar o mistério, a jornalista Cristina Tardáguila chegou a se colocar em situações de risco a fim de encontrar respostas. Em sua jornada, ela viajou para a Europa e mergulhou no mundo obscuro dos crimes de arte. A partir de meticulosa apuração dos eventos, muito maior do que a da própria polícia conseguiu levantar, a autora produziu uma narrativa vibrante, cheia de reviravoltas dignas de um thriller, construída apenas com fatos.
O Brasil entrou definitivamente no mapa do roubo de obras de arte com o assalto ao Museu da Chácara do Céu.

Em 2011, quando me propus a investigar o roubo no Museu da Chácara do Céu, tinha no horizonte um objetivo um tanto ousado. Queria encontrar as cinco obras de arte de Picasso, Monet, Matisse e Dalí levadas da antiga mansão de Castro Maya cinco anos antes e apontar — com muita precisão — a direção dos criminosos. No meu imaginário, este livro seria um relato emocionante, um verdadeiro thriller, escrito por uma jornalista que havia conseguido desvendar — sozinha — aquele que, pelo menos aos olhos do FBI, era considerado o maior roubo de arte do Brasil e um dos dez maiores do mundo.

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