As universidades, assim como as catedrais e os parlamentos, são um produto da Idade Média. Os gregos e os romanos, por mais estranho que possa parecer, não tiveram universidades no sentido em que a palavra foi usada nos últimos sete ou oito séculos.
Eles tiveram educação superior, mas os termos não são sinônimos. Sua instrução em retórica, filosofia e direito seria, em grande parte, difícil de superar, todavia, essa instrução não era organizada na forma de instituições permanentes de ensino.
Sócrates, que era um grande professor, não oferecia diplomas, e o estudante moderno que sentasse aos seus pés durante três meses exigiria um certificado, algo tangível e externo que pudesse exibir como uma vantagem do seu estudo ― aliás, esse seria um excelente tema para um diálogo socrático.
É somente nos séculos XII e XIII que realmente surgem no mundo aquelas características tão marcantes da educação organizada com as quais estamos mais familiarizados, todos aqueles mecanismos de instrução representados por faculdades, colégios, cursos, exames, formaturas e graus acadêmicos. Em todos esses assuntos nós somos os herdeiros e sucessores, não de Atenas e Alexandria, mas de Paris e Bolonha.
O contraste entre essas primeiras universidades e as que existem hoje é certamente amplo e notável. Durante todo o período de sua origem, a universidade medieval não teve bibliotecas, laboratórios ou museus, nem dotações ou edifícios próprios; ela não poderia, de forma alguma, satisfazer as exigências da Fundação Carnegie!
Conforme um relato incluído em um manual de história de uma das universidades mais jovens dos Estados Unidos, o qual é marcado inconscientemente pela época e lugar em que foi escrito, a universidade medieval não tinha “nenhum dos atributos da existência material que entre nós são tão manifestos.”. A universidade medieval era, na excelente expressão de Pasquier, “feita de homens” ― bâtie en hommes.
Ela não tinha conselho diretor, não publicava anuários, não tinha sociedades estudantis ― exceto na medida em que a própria universidade era fundamentalmente uma sociedade de estudantes ―, tampouco tinha jornais acadêmicos, arte dramática ou atividades desportivas, ou seja, não tinha nenhuma daquelas atividades extracurriculares que costumam servir de desculpa para a ociosidade acadêmica que existe na universidade norte-americana.

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