Paulo Costa Lima – Música Popular E Outras Adjacências…

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Ao compositor, as batatas! Se faz música, está envolvido em linguagem – está fazendo linguagem, mesmo quando não sabe disso. A música pura morreu, antes ela do que eu.
São invenções essas crônicas e ensaios, a duas vozes, a minha e a de quem imagino poderia estar me ouvindo. Um jogo de sentido e de recepção. Não é isso, linguagem, que você quer da gente, essa suave capacidade de despersonalização personalizadora?
Esses escritos respondem a uma rotina semanal de diálogo com um público mais amplo, convocado através da internet. Não existe foco especial. Talvez, um certo espanto com o rumo das coisas, a paixão da interpretação, a defesa do humor como categoria fundante da composição, tal como vista daqui da Baía de Todos os Santos.
A forma curta que pode ser tratada como vatapá de câmara, sopa de acelga ou espetinho de filé, o espírito sopra onde quer…
Uma homenagem especial ao Jobim das Águas de março, Caymmi de Fiz uma viagem e Ataulfo de Amélia, que faz 70 anos de criação. As perspectivas se alargam: um passeio pelo ambiente do Shopping e sua fenomenologia, os novos egos, o elogio inusitado a uma das mais injustiçadas partes do corpo – o sovaco, uma coleção de atitudes pedagógicas bizarras. E mais: a natureza política do mérito, a dimensão gozante da cultura, as inhanhas universitárias, e até um tamanduá voador… Não há limites?
Há sim. A apresentação é enxuta, e esta, a última linha. Obrigado, leitor, e até breve.
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

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