Ao longo do ano de 2008, a população que vive em áreas urbanas atingiu a proporção de 50% do total mundial, segundo dados da Divisão de População das Nações Unidas. Em outras palavras, cerca de 3,3 bilhões de pessoas estão morando atualmente em cidades. Esta realidade, porém, evidencia alguns contrastes. Embora este índice já tenha sido alcançado nas regiões mais desenvolvidas do globo, desde o ano de 1953, nas regiões menos desenvolvidas, será um fato apenas em 2019.
Entretanto, os impactos da vida e das culturas urbanas certamente já repercute, de modo significativo, nos valores, hábitos e tradições das zonas rurais, a partir da influência de variados dispositivos, dentre eles as redes de comunicação.
No Brasil, também no ano de 2008, eram realizadas eleições para prefeito e vereador nos 5.564 municípios do País. Em Salvador, a Câmara de Vereadores aprovara, em uma sessão bastante conturbada, em dezembro de 2007, o controverso Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), tema que passou a permear os debates eleitorais e alcançou relativa importância nas propostas dos diversos candidatos.
Neste contexto, o Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC-Ba) e o Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT), buscando acompanhar criticamente os itinerários da cultura contemporânea, promoveram, em conjunto com o Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (Pós-Cultura), da Universidade Federal da Bahia (UFBa), da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult) e da Associação dos Professores Universitários da Bahia (Apub) – o “IV Ciclo de Debates em Políticas Culturais”, com a temática: “Políticas Culturais para as Cidades”.
Para este Ciclo, foram convidados pesquisadores, profissionais, gestores e políticos, oriundos de diversas áreas, que têm se destacado, no estudo e na atuação, pelo debate sobre o tema das cidades e da cultura. São administradores, economistas, sociólogos, antropólogos, educadores, gestores públicos e, obviamente, urbanistas e arquitetos. A fim de promover a necessária multiplicidade de interpretações, perspectivas e maneiras de perceber a cidade, foi estabelecido um tempo reduzido para que cada um deles apresentasse, mais uma “provocação”, do que uma exposição em moldes tradicionais. As falas, transcritas e cuidadosamente revisadas, somadas a um artigo do sociólogo e professor Gey Espinheira, escrito para o evento, tomaram então a forma deste livro. O resultado é uma surpreendente, densa e expressiva ampliação do debate, através da pluralidade das visões sobre este tema tão atual quanto complexo: as conexões contemporâneas entre cidade e cultura.

Deixe uma resposta