Andrey Cordeiro Ferreira & Tadeu Bernardes De Souza Toniatti (Orgs.) – De Baixo Para Cima E Da Periferia Para O Centro: Textos Políticos, Filosóficos E De Teoria Sociológica De Mikhail Bakunin

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No Brasil e no mundo conhece-se relativamente pouco sobre o anarquismo no século XIX e a obra teórica de Mikhail Bakunin, particularmente.
Esse desconhecimento é resultado de diversos fatores, especialmente de três que iremos destacar aqui. O primeiro deles é a evolução contraditória da ação das classes trabalhadoras em diferentes países, da dinâmica política que levou à repressão, combinada com a hegemonia de outras ideologias e autores, o que resultou na marginalização e invisibilidade histórica relativa. O segundo é a dispersão das fontes primárias, dos arquivos e das obras de Bakunin, de maneira que a construção de um arquivo unificado e acessível foi um processo descontínuo e, em certa medida, recente e ainda assim incompleto.
Por fim, a difusão das obras existentes foi marcada pela opção por edição de textos fragmentados organizados em coletâneas que são, na verdade, em um grande número de casos, montagens de frases e fragmentos de textos agrupados pelos editores ou por intelectuais e figuras históricas específicas (algumas delas antigos militantes da Associação Internacional dos Trabalhadores – AIT) e que são atribuídas como “obras” de Bakunin. Dessa maneira, não é somente a hegemonia política de correntes ideológicas rivais ou a dificuldade do acesso a fontes, mas as opções editoriais (também opções políticas) que
levaram à criação de diversos bloqueios ao estudo histórico e sociológico do anarquismo e do pensamento e prática de Mikhail Bakunin. As publicações tiveram, assim, efeito contraditório, de divulgação e de bloqueio cognitivo.
Não iremos aqui fazer um balanço exaustivo desse universo, mas é fundamental comentar os traços principais dessas linhas editoriais e como influenciam os estudos do anarquismo para enfatizar como a presente publicação representa não somente uma inovação por oferecer documentação inédita, mas uma ruptura em relação a esse padrão editorial e às publicações disponíveis em língua portuguesa (e mesmo inglesa e francesa, que foram, em grande medida, os textos base ou paradigmáticos para traduções brasileiras), podendo ajudar, nesse sentido, a lançar uma nova luz sobre os estudos do anarquismo e sobre a forma como o anarquismo é apropriado enquanto instrumento de análise teórica, política e de crítica social.

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