Beky Moron De Macadar & Rodrigo Morem Da Costa (Orgs.) – Aglomerações E Arranjos Produtivos Locais No Rio Grande Do Sul

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O papel das economias de aglomeração na geração de vantagens que favorecem a competitividade das empresas de um determinado território é um tema recorrente na literatura que analisa o desenvolvimento econômico regional.
No que concerne aos aglomerados de empresas especializadas em torno de uma determinada atividade produtiva, o trabalho que originalmente forneceu as bases ao seu entendimento foi o Principles of Economics, escrito por Alfred Marshall em 1890, através do conceito de Distritos Industriais.
O núcleo desse argumento fundamenta-se no entendimento de que a aglomeração espacial de empresas especializadas geraria benefícios à sua competitividade, devido à atuação de sua coletividade, portanto, ultrapassando a competência individual, o que foi denominado economias externas. Esse conceito refere-se a fatores disponíveis na economia local — como infraestrutura, mão de obra qualificada, acesso facilitado a recursos naturais locais, informações sobre novas tecnologias e outras — que favorecem a competitividade das empresas.
A partir dos anos 80 do século XX, na literatura da área de Organização Industrial houve um renovado interesse pelas vantagens competitivas propiciadas pela proximidade geográfica entre empresas especializadas e seus fornecedores, distribuidores e prestadores de serviços, exercendo um papel significativo no desempenho das economias locais.
Algumas experiências, como as dos chamados Distritos Industriais Italianos, que despontaram espontaneamente nos anos 70, na Emilia Romagna, chamaram a atenção de pesquisadores sobre o tema, destacando-se, dentre outros, os estudos de Becattini (1991) e Piore e Sabel (1984), devido ao desempenho diferenciado de suas firmas, predominantemente de pequeno e de médio porte, em um momento de crise generalizada no capitalismo, sobretudo das grandes empresas.
O estudo dos Distritos Industriais Italianos permitiu relacionar os fatores de competitividade com as inter-relações existentes entre empresas, população, instituições e governo locais em uma determinada região. Posteriormente, a emergência de aglomerações no Vale do Silício (Califórnia, Estados Unidos), em Baden-Württemberg (Alemanha) e em outros locais abriu maior espaço para debates sobre novas estratégias de
desenvolvimento econômico capazes de incluir empresas pequenas e médias.
Os estudos desses casos ensejaram a ideia de que a concentração espacial de uma atividade econômica e as interações recorrentes entre os agentes em seu ambiente local criariam sinergias importantes à competitividade das empresas.

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