Miguel Gonçalves Mendes – José E Pilar: Conversas Inéditas

Posted on Posted in Biografia, Filmes, Literatura

A figura de José Saramago, certamente como toda e qualquer figura de dimensão mundial e grande gênio, suscitou constantemente arrufos, urticárias e brigas, havendo mesmo quem se negue a considerar o que fez, o que disse, o que se disse ou diz do seu trabalho e pessoa, o que se faz. Como creio que acontece com Miguel Gonçalves Mendes, também eu sou abordado frequentemente por pessoas que querem protestar contra as mais diversas questões relativas a Saramago. Desde logo a falta de pontuação e a desconfiança para com a Igreja são tópicos em que nos metem num mesmo saco, quase obrigatoriamente para uma sova já obstinada e fanática. Sempre me fez confusão que as pessoas religiosas possam pedir o mal, e até a morte de alguém, e mais confusão me fez que, depois de publicado o último romance de Saramago, me viessem algumas pessoas deixar os mais cruéis recados. Se Deus existisse e agisse a mando daquelas vontades, Deus seria o diabo. Isto para dizer que também a mim me perguntam pelo episódio do Diário de Notícias, como se eu tivesse lá estado, ou como se eu pudesse pedir desculpas por qualquer erro. Também eu andava curioso por saber, afinal, o que se passou. Pois, definitivamente, a versão de José Saramago está guardada, segue guardada neste livro para contar para as conversas, diria, dos de boa-fé
O que o trabalho de Miguel Gonçalves Mendes tem representado para o tesouro do testemunho de Saramago é de valor inestimável. É o melhor dos legados para todos quantos vivem e viverão, permitidos que ficam para o acesso à intimidade com o grande mestre, ou, por outras palavras, para o acesso a um diálogo eminentemente desmascarado com o grande mestre. Mas o grande mestre não estaria nunca completo nesta sua dimensão mais pessoal sem a companhia de Pilar del Río, tão distinta quanto já complementar do escritor.

 

Deixe uma resposta