Mário De Andrade – O Empalhador De Passarinho

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O empalhador de passarinho é uma reunião de breves textos de Mário de Andrade de natureza múltipla, em que nosso grande modernista disserta sobre temas que vão do conceito de conto, e seus maiores representantes na literatura brasileira, até um belo ensaio crítico de Fogo morto, romance de José Lins do Rego, passando por leituras das obras de Murilo Mendes, Camargo Guarnieri, Cecília Meireles, entre outros.
Se ler a obra literária de Mário de Andrade é prazer garantido, debruçar-se sobre suas obras críticas é, por extensão, sentir toda a força de nossa cultura. Longe de ser uma crítica empalhada, os textos aqui reunidos nos fazem sentir no centro de uma revoada de passarinhos, no turbilhão produtivo da arte nacional.
Ao chegar a este ponto das minhas hesitações, já decidido a não falsificar com o título de “prisioneira da noite” a esta prisioneira consentida, me lembrei de intitular esta crônica “Peito ferido”. Aqui fiquei contente comigo. “Peito” pra mim se associa fatalmente em “peito de pássaro”, sabei-me lá por quê! Ora Henriqueta Lisboa vive sempre esvoaçando em meus pensamentos, feito um passarinho. Quando os seus versos não se tingem de um certo didatismo que desejo esquecer, e maltratam a terceira parte deste livro novo, há neles a graça inquieta, simples e um pouco agreste, um pouco ácida, dos passarinhos.

Mário De Andrade, nascido em São Paulo, em 1893, iniciou sua carreira em 1917, com Há uma gota de sangue em cada poema. A esse, seguiram-se muitos outros títulos, cerca de vinte, dentre os quais se destaca Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, de 1928. Consagrado não apenas como poeta e ficcionista, Mário de Andrade mostra-se um exímio crítico de arte e pesquisador de manifestações da cultura popular de nosso país. Nesta coleção, a Nova Fronteira resgata esses estudos que nos revelam a maturidade crítica de uma das principais figuras do Modernismo brasileiro.

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