Para além do falo tem por base uma série de quinze seminários realizados na Universidade de Cambridge, no King’s College e na Faculdade de Ciências Sociais e Políticas, entre janeiro e julho de 1987. A série foi organizada numa tentativa de explorar os debates freqüentemente intensos que surgiram em torno da psicanálise, especialmente a do tipo
lacaniano, e o feminismo.
As mulheres que apresentaram os seminários estão identificadas com posições teóricas distintas, e às vezes opostas, nesses debates. Majoritariamente, os debates dizem respeito ao essencialismo, ao tipo de lei simbólica que a cultura requer, à diferença sexual, ao grau de patriarcalismo inerente do conhecimento e à prática e uso político da psicanálise para o feminismo. Os debates-chave da série também estruturam esse livro. Meus primeiros agradecimentos vão para as mulheres, protagonistas principais dos debates, vindas da Índia, dos Estados Unidos, da França e de outros pontos da Inglaterra, muitas vezes interrompendo suas próprias programações intensivas para comparecer.
Até onde os debates sobre psicanálise e feminismo têm um ponto de partida comum, este ponto é a preocupação do feminismo com a transformação social: uma questão política, nominalmente apropriada para docentes de ciências sociais e políticas. Mas as colaboradoras são principalmente teóricas de literatura; somente duas dentre elas têm antecedentes nas ciências sociais. E o público é oriundo não só da sociologia e da política como ainda de línguas modernas e medievais, do inglês, dos estudos clássicos e assim por diante, cobrindo todo o espectro disciplinar. O alcance interdisciplinar e o apelo do feminismo estão estabelecidos; evidentemente, quando o feminismo está ligado à psicanálise, não estão limitados.

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