Julio Ramón Ribeyro – Prosas Apátridas

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Considerado um dos melhores contistas não só latino-americanos mas de toda a língua espanhola, na opinião de seu compatriota, o Prêmio Nobel Mario Vargas Llosa, o peruano Julio Ramón Ribeyro é também um grande pensador. Prosas apátridas, livro sofisticado e delicioso, que integra a coleção Otra Língua, é a maior prova disso.
Como o autor esclarece na introdução, são “prosas apátridas” não porque ele se considerasse um escritor sem pátria. Mas sim porque enfeixa textos que não encontravam lugar em outros livros justamente por não pertencer a nenhum gênero e não se encaixar em nenhum território literário próprio. Além disso, quase a totalidade deles foi escrita em Paris, onde Ribeyro, nascido em 1929, viveu grande parte de sua vida como estudante, boêmio, jornalista, adido cultural e representante do Peru na Unesco.
De alguma maneira, os textos se assemelham a breves ensaios, ou a pequenas narrativas de ficção interrompidas de súbito. Todos carregam uma enorme originalidade, e, como nota Paulo Roberto Pires no posfácio, o leitor não deve se surpreender, ao chegar ao fim do volume, de encontrá-lo com muitas linhas sublinhadas. E com vontade de voltar a ler tudo outra vez, com calma, pois a primeira leitura, de tão irresistível, é feita num fôlego só: “Na vida, na realidade, não fazemos nada além de cruzar com as pessoas. Com algumas conversamos cinco minutos, com outras andamos até a próxima estação, com outras vivemos dois ou três anos, com outras moramos juntos dez ou vinte anos. Mas, no fundo, o que fazemos é só cruzar (o tempo não interessa), cruzar e sempre por acaso. E sempre acabamos nos separando.”

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